BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM), apelou à consciência do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), no sentido que o mesmo renuncie ao cargo. De acordo com ele, o peemedebista deveria pensar se um Congresso dividido, com senadores favoráveis e contrários à sua permanência no comando da Instituição, travando debates calorosos com ameaças de apresentação de dossiês é o que vai ¿legitimar¿ um mandato.


Ontem eu ouvia senador Pedro Simon (PMDB-RS) e o senador travou acirrada batalha verbal com alguns senadores que lhe dão apoio. Será que passa pela cabeça de Vossa Excelência (Sarney) que isso o sustente como presidente. Que isso garanta legitimidade a um mandato?, questionou.

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Arthur Virgílio e Pedro Simon no plenário da sessão desta terça
Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Pedro Simon (PMDB-RS) no plenário da sessão desta terça-feira

Fora de seu tradicional estilo de duras palavras, Virgílio manteve a calma quando chamava Sarney para a reflexão. Segundo ele, é preciso que o presidente avalie se as ameaças que estão lhe sendo feitas por aliados do peemedebista, que o querem representar no Conselho de Ética, são o melhor caminho para a Instituição.

Essa sim é a marcha da insensatez(...) Fulano está incômodo e vamos decretar nosso AI5 particular. Custo a acreditar que Vossa acredite nisso e entenda que é o caminho que vai consolidá-lo?.

No discurso, Virgílio ainda disse que o fato de ter admitido seus atos de improbidade, e estar pagando financeiramente pelos mesmos ¿ referindo-se à autorização que deu a um servidor, que foi estudar no exterior e mesmo sem trabalhar continuou recebendo dinheiro público ¿ deveria lhe inocentar.

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Sarney preside sessão desta terça. Ao seu lado, Fernando Collor.  Fotógrafo: Geraldo Magela - Agência Senado
Sarney (PMDB-AP) preside sessão desta terça-feira; ao seu lado, Fernando Collor (PTB-AL)

Vim à tribuna e fiz autocritica. Não minto, não tergiverso. Digo que errei e que não deveria ter feito. Ai alguns dizem: é réu-confesso.
Então seria certo a cultura da mentira, do não sabia, do não é bem assim. Vim assim como homem que sou admitir o que fiz, disse, tentando se inocentar das práticas irregulares através da confissão.

Por fim, Virgílio disse que apesar das ameaças dos aliados de Sarney, de levar o caso de seu funcionário do exterior e de um empréstimo de US$ 10 mil que recebeu do ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, ao Conselho de Ética, não vão lhe intimidar. Ele voltou a  pedir a renuncia de Sarney e que novamente ele ponderasse sobre as ações de seus apoiadores.

Após o discurso, o presidente do Senado, José Sarney, disse que nesta quarta-feira, em discurso, vai responder às acusações feitas.

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