Arrume o guarda-roupa e construa seu estilo Por Fernanda Brambilla São Paulo, 07 (AE) - Se o guarda-roupa pegasse fogo, o que você salvaria de qualquer jeito? Quem pergunta é a consultora de moda e personal shopper Milla Mathias, 35 anos. De caderninho na mão, ela faz sua cliente, Giselle Lo Schiavo, de 36 anos, refletir.

A conversa é parte de um detalhado processo de renovação de imagem que inclui análise de cores, estudo de pele e uma faxina turbinada no closet. Tudo isso, segundo Milla, fica mais fácil no início do ano, quando as pessoas se mostram mais abertas a mudanças. Nessa época, aliás, ela registra um aumento de até 20% na clientela.

Giselle, que trabalha como agente de turismo, queria mais que roupas novas para 2010. Estava em busca de alguém que a ajudasse a construir um estilo."Essa é uma hora boa para mudanças. Sou vaidosa e gosto de roupas, mas quero aprender a combinar as peças direito", diz ela, que sofre de um mal comum entre as mulheres. "Meu armário está entulhado de coisas que nunca usei", conta.

Antes de desbravar as gavetas, Milla se dedica à parte teórica da consulta, na casa do cliente. "Vamos ter uma conversa sobre estilo e expectativas. Como a pessoa é no dia a dia, qual é a sua personalidade. Preciso entender como ela funciona", explica a consultora. O primeiro passo é um estudo de pele e do rosto de Gisele, para definir a estação do ano que mais combina com ela - verão, primavera, outono ou inverno.

Com um avental branco, de cara limpa, a moça é analisada feito um objeto de decoração. Munida de uma paleta de tons, Milla passa um a um pelo rosto da cliente, para ver quais "refletem positivamente". "A cor errada influi negativamente, o semblante se apaga", garante Milla. "Cada um tem suas cores certas. "

Testada exaustivamente, Giselle foi enquadrada no inverno, ou seja, fica bem em cores frias. Isso significa abolir o vermelho e os tons de laranja. "O vestido que mais gosto é laranja!", apela. E o veredicto de Milla é irrevogável: "pode esquecer!" Outras notícias deixam a cliente mais atordoada. "Dourado também não é para você", sentencia a consultora. Mais um golpe duro: "Nem na maquiagem? Sempre usei maquiagem dourada!" Não, nem na maquiagem.

Antes de contratar o serviço é preciso estar aberto a mudanças, às vezes bruscas, como abrir mão de tons ou modelos de roupas e até mudar a cor do cabelo. Uma análise como essa, garante Milla, vale para a vida toda.

Para traçar o perfil de Giselle, Milla anota gostos, hobbies e até os bares que ela costuma frequentar. Finalmente, é hora de pôr o guarda-roupa abaixo. Uma pilha de calças, blusinhas e vestidos se amontoa em cima da cama. Peças velhinhas, em cores fora da paleta, são descartadas sem dó. "Não tem essa de manter roupa para usar em casa, para virar saída de praia, para fazer feira. São desculpas clássicas, não colam comigo", avisa.

Enfiada no closet, Milla fiscaliza tudo. "O que é isso aqui?", diz, e sai com uma blusinha amarelada pelo tempo guardada. "E isso aqui? Ah, gata...", faz Milla, balançando a cabeça. A sessão continua por horas. E Giselle, que no começo tentava se defender, se conforma e vê a pilha crescer. Na dúvida, uma prova decide a avaliação. Depois, Milla elabora uma lista do que falta, para sair às compras.

O orçamento é definido antes e, no caso de Giselle, fica em R$ 500. No destino escolhido, uma loja nos Jardins, é Milla quem vai às araras. Ela observa os modelos e escolhe alguns. Gisele vai direto para o provador. Se estica o olho para um vestido vermelho, Milla corta. "Não é seu tom, nem vem!" Mas a principal dica é a sensatez. "Só leve o que ficou perfeito. Teve dúvida? Então, não. Em casa, nada fica melhor", diz.

BOXE

Confira o processo de reforma do guarda-roupa

1- Análise de cores : a partir das paletas de cores, com rosto limpo e sem maquiagem, cada tom é testado para definir a estação do ano. Rotina de trabalho, locais frequentados com amigos, gostos e hobbies compõem o perfil.

2- Análise corporal e de rosto: de roupa íntima, a cliente recebe instruções sobre corte de cabelo e roupas adequadas ao biotipo. Juntas, as fases 1 e 2 custam R$ 1.500.

3 - Análise de guarda-roupa (R$ 750, em média): Roupas que não se encaixam vão para o brechó e a cliente fica com o dinheiro arrecadado.

4 - Compras (R$ 150 a R$ 200/hora): Orçamento e lojas são combinados previamente.

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