Arruda procurou relator do processo no STJ

A deflagração da operação Caixa de Pandora pela Polícia Federal ocorreu bem antes do que era previsto. A subprocuradora da República Raquel Dodge, que presidiu as investigações no Ministério Público Federal, demonstrou seu descontentamento a interlocutores próximos pelo fato de o ministro Fernando Gonçalves, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça, ter disparado os mandados de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira.

Rodrigo Haidar, iG Brasília |

  • Vídeo mostra governador Arruda recebendo suposta propina
  • Governador José Arruda não se pronuncia sobre operação da PF
  • Polícia Federal investiga pagamento de propina a "base aliada" de Arruda
  • A decisão, contudo, foi tomada porque o ministro foi procurado, em pessoa, pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, há cerca de dez dias, que fez perguntas sobre a investigação. A visita inesperada provocou preocupação nas investigações.

    Agentes da Diretoria de Inteligência da PF fizeram busca e apreensão na residência oficial do governador do Distrito Federal, em secretarias de governo e em gabinetes de pelo menos quatro deputados distritais Eurides Brito (PMDB), Leonardo Prudente (DEM), Pedro do Ovo (PRP) e Rogério Ulisses (PSB). 

    No inquérito, há uma fita gravada pelo secretário de Relações Institucionais do governo, Durval Barbosa, que mostra o governador do DF recebendo R$ 400 mil.

    A subprocuradora da República e os policiais federais tentaram agir, por determinação do ministro Gonçalves, com extrema discrição em todas as etapas das investigações, mas há dois meses começaram a vazar informações sobre o inquérito. A história do vídeo do governador corria por Brasília havia alguns meses. Agentes do governo do DF e parlamentares ligados ao governador começaram a se movimentar e as informações chegaram a pessoas próximas dos investigados. Quando Arruda procurou Gonçalves, decidiu-se adiantar a operação.

    Mas a decisão não foi tranqüila. O clima entre o MPF e o STJ azedou. Raquel Dodge acredita que o inquérito não foi tratado com a diligência devida pelo tribunal. Fontes do STJ, contudo, dizem que nem mesmo os funcionários do gabinete de Fernando Gonçalves tinham acesso ao processo, que além dos vídeos tem centenas de horas de escutas telefônicas e ambientais com conversas entre da cúpula do governo do Distrito Federal.

    Há informações de que o MPF e a PF armavam um flagrante que comprometeria muito mais os investigados. Essas mesmas fontes asseguram que por enquanto o que se vê é apenas uma parte da operação, cujos desdobramentos serão maiores. 

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