Arrigo Barnabé abre programação da Virada Cultural no Teatro Municipal

SÃO PAULO - Quase trinta anos depois, Clara Crocodilo está de volta. O marginal mutante, personagem criado em 1980 pelo músico Arrigo Barnabé no álbum que se chama justamente Clara Crocodilo, abriu a programação da Virada Cultural dentro do Teatro Municipal

Carlos Augusto Gomes |

O Municipal foi o local escolhido pelos organizadores do evento para colocar artistas tocando seus álbuns na íntegra. A tradição começou em 2007, e já teve nomes como Jards Macalé tocando seu homônimo disco de estreia e Luiz Melodia apresentando seu "Pérola Negra".

Esse ano, além de Arrigo, ainda vão passar pelo Municipal artistas do calibre de Tom Zé (com seu primeiro trabalho, "Grande Liquidação"), Fafá de Belém (com "Água", ótimo disco de 1977) e Francis Hime, acompanhado da Orquestra Experimental de Repertório.

Arrigo abriu o show com "Sabor de Veneno", quarta faixa do disco "Clara Crocodilo". Já na primeira música, foi possível perceber que, mesmo depois de quase três décadas, o trabalho continua desafiador para os ouvidos.

Parte do público se assustou com a mistura de música popular e erudita feita por Barnabé. Seu som convulsivo, acompanhado de letras irônicas e sugestivas, não é daqueles que agrada com facilidade. Tanto que muita gente foi embora do Municipal antes da apresentação acabar.

Quem ficou teve a oportunidade de ver uma banda afiadíssima e duas cantoras, Suzana Salles e especialmente Vânia Bastos, em grande forma. Além, é claro, das históricas canções de "Clara Crocodilo", um dos mais importantes discos da música brasileira.

"Sabor de Veneno" foi um dos destaques da noite (além de abrir o show, foi a escolhida para o bis), junto com as "Orgasmo Total", "Diversões Eletrônicas" e, obviamente, a faixa que dá nome ao disco, "Clara Crocodilo".

Depois de Arrigo Barnabé, o Teatro Municipal recebe Egberto Gismonti, às 21h, e Tom Zé, à meia-noite. Quem quiser ver um desses shows terá que enfrentar um bom tempo de fila. Antes da apresentação de Arrigo, ela dava voltas pelo lado esquerdo do Municipal e seguia pela Rua 24 de Maio.

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