Arriaga diz que escreve seus roteiros sem planos ou estrutura pré-determinada

O roteirista mexicano Guillermo Arriaga (Amores Brutos, 21 Gramas), que acaba de estrear na direção com The Burning Plain, afirma que escreve os roteiros sem plano determinado ou processos lógicos, um pouco como quando se conta uma história de forma oral.

AFP |

Apesar da complexidade de seus roteiros - que, além de "Amores" e "21", inclui ainda 'Babel', todos dirigidos pelo compatriota Alejandro González Iñárritu -, Arriaga garantiu em entrevista à AFP que escreve "sem nenhum plano pré-determinado".

"O que é importante é criar uma obra sólida no papel, para que quando chegue à tela esteja completamente claro para todos", afirmou.

"Não há tantos processos lógicos quando você escreve um roteiro, sobretudo no meu caso. Na ficção é muito difícil ter processos lógicos", explica Arriaga, 51 anos.

"Quando me sento para escrever não tenho nenhuma estrutura pré-determinada. Vou escrevendo e conforme vou escrevendo a história vai se desenvolvendo. Não sei muito de meus personagens, nem sequer conheço o final".

"Escrever um roteiro tem muito a ver com a forma oral como contamos histórias. Vê como segue nossa conversa? Vamos de um lugar a outro, mudamos de temas. Assim se constrói uma narrativa".

Mas ele destaca que um filme precia de um "conceito". "Isto permite a você conter a história. Caso contrário, começa transbordar".

Para "The Burning Plain", que estreia sexta-feira nos Estados Unidos, Arriaga escolheu os quatro elementos: água, terra, fogo e ar.

"Em 'Amores Brutos', o conceito foi a relação entre um homem e um cão; em '21 Gramas', estávamos na cabeça de um moribundo; em "Três Enterros" (dirigido por Tommy Lee Jones) era o compromisso da amizade; e em "Babel" foi como 24 horas podem mudar uma vida", explica.

Arriaga cita ainda a influência das recordações pessoais e de eventos reais em seu processo creativo.

Ele menciona como exemplo a história de 'The Burning Plain', que segundo ele nasceu com "uma casa em chamas".

"Eu tinha 9 ou 10 anos, estava brincando na rua e um amigo vei me contar que havia um incêndio'", lembra.

"Subimos nas bicicletas e fomos até lá. Havia crianças observando, curiosas. E alguém veio e disse 'há alguém na casa'. Então a cois tomou uma dimensão completamente distinta. Esta história me perseguiu de tal maneira que escrevi dois filmes sobre uma casa em chamas, uma comédia que nunca saiu do papel e esta", completa.

Da casa em chamas surgiu uma história forte e dramática, que mistura momentos e lugares ao redor de três mulheres ligadas por um evento trágico: uma debutante de 15 anos, sua mãe infiel (interpretada por Kim Basinger) e uma mulher torturada por seu passado (a sul-africana Charlize Theron).

Por meio delas, Guillermo Arriaga afirma que quis falar do amor.

"Me interessa muito o tema do amor".

"Acredito que somos uma espécie muito imatura. Um cavalo nasce, para e em uma semana já está correndo. O ser humano, se não estiver vinculado a outro ser humano, não sobrevive. É uma espécie que demora muito a amadurecer. E a única forma em que pode amadurecer é através das relações amorosas", opina.

rr/fp

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