Arqueólogos acham restos da pirâmide da rainha Sesheshet no Egito

Javier Fagúndez. Cairo, 12 nov (EFE).- Uma equipe de arqueólogos egípcios encontrou entre as areias de Saqqara, ao sul do Cairo, os restos da pirâmide da rainha Sesheshet, que fez parte do Império faraônico há 4.

EFE |

300 anos.

Perante dezenas de meios de comunicação, o célebre arqueólogo Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, mostrou hoje ao mundo o último tesouro que o país salvou do esquecimento.

"É um descobrimento muito importante. Estamos acostumados a encontrar um túmulo, ou uma estátua, mas hoje anunciamos a descoberta da pirâmide de uma rainha", disse.

Quatro milênios após sua construção, ainda se mantêm de pé cinco metros da estrutura original. No passado, a pirâmide chegou a medir 15 metros, com uma inclinação de 51 graus.

Os restos foram localizados nos arredores do Cairo, no complexo funerário de Saqqara, onde também se encontra a famosa pirâmide escalonada de Zoser e que foi parte da necrópole de Menfis.

Na apresentação, o arqueólogo ressaltou que se trata "de uma das pirâmides mais importantes da quinta dinastia" do Império Antigo.

Sesheshet, rainha do Egito, foi a mãe do rei Teti (2323-2291 a.C.), o primeiro faraó da sexta dinastia, cuja pirâmide se encontra a poucos metros da que foi apresentada hoje.

"Ainda não entramos na câmara da pirâmide", comentou Hawass que, no entanto, previu que em seu interior encontrarão "inscrições que falem de Sesheshet".

Esta pirâmide, como muitas outras, foi vítima de saques, e ainda hoje é possível observar um amplo buraco pelo qual se supõe que os ladrões entraram.

Os arqueólogos também localizaram durante as escavações uma capela construída durante o Império Novo, na qual ainda há restos de escrituras relativas à época dos faraós, assim como parte do revestimento da pirâmide.

Após estudar o contexto histórico e outras descobertas na região, que investiga desde 1988, Hawass concluiu que este monumento foi construído para Sesheshet.

O arqueólogo mencionou um papiro no qual a rainha pedia conselho sobre alguns problemas com seu cabelo. Também comentou que as pirâmides das duas esposas de Teti, Khuit e Iput I, já foram localizadas no passado, e ressaltou que não se tem conhecimento de mais rainhas ligadas a este faraó.

Por isso, apesar da ausência de provas definitivas, Hawass está convencido de que os restos pertencem à pirâmide da rainha Sesheshet.

"Descobrir uma pirâmide é incrível", afirmou.

O catálogo do Egito, com este novo achado, já inclui 118 pirâmides das quais se conserva pelo menos parte da superestrutura, segundo confirmou Hawass, que acredita que ainda existam outras a ser encontradas.

"Sempre digo que se desconhecem os segredos que as areias do Egito escondem", concluiu. EFE ju/ab/plc

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