Arma usada por assassino de cartunista foi comprada com dinheiro do tráfico

A pistola usada no assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas e seu filho Raoni foi comprada com dinheiro do tráfico de drogas. Em depoimento à polícia, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, que confessou o crime, disse ter vendido maconha por três meses na Vila Madalena para juntar o dinheiro.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |



No depoimento, Cadu disse que, como não trabalhava nem estudava, tinha pouco dinheiro e dava uns "pelés" na avó para engordar o orçamento. Nos últimos meses passou a frequentar a periferia de São Paulo, onde comprava maconha a preços baixos e revendia com lucro na Vila Madalena, bairro boemio da capital paulista.

AE

"Cadu" na sede da PF em Foz de Iguaçu

Depois de três meses Cadu se aproveitou dos contatos na periferia e comprou, segundo suas próprias palavras, um "kit completo" composto de pistola, carregador e nada menos do que 70 cápsulas de munição.
No dia 11, véspera do crime, Cadu começou a planejar a ação. O primeiro passo foi encontrar um motorista. O escolhido foi Felipe Oliveira Iasi porque, segundo Cadu, se tratava de um "bundão playboizinho".

"Escolhi você (Felipe) porque você é de boa família, tem uma vida boa e não vai vacilar pois tem muito a perder", disse Cadu no depoimento.

Felipe foi convidado para fumar um cigarro de maconha na noite de quinta-feira, dia 12. Ao entrar no carro Cadu sacou a pistola, encostou nas costelas de Felipe e disse: "tenho que resolver uma parada aí. Isso é aço, a arma é de verdade, se você não fizer o que eu quero vou mandar aço, vou estourar sua cabeça".

A etapa seguinte foi sincronizar a ação. Cadu telefonou para Raoni e perguntou a que horas o filho de Glauco voltaria da faculdade. Era a única maneira de entrar na casa. Mas esta parte do plano deu errado e Cadu teve que render a enteada do cartunista, Juliana, para conseguir entrar.


Reencarnação

Segundo a polícia, a motivação do crime foi um surto psicótico. "Mas isso não significa que ele agiu como um tresloucado. Embora fosse um garoto de classe média alta, Cadu tinha atitudes de um criminoso contumaz como, por exemplo, se recusar a dizer de quem comprou a arma", disse o delegado chefe do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), Marcelo Carneiro Lima.

No depoimento, Cadu disse que seu objetivo era esclarecer com Glauco pontos referentes á reencarnação, um dos pilares da doutrina do Santo Daime. "Assim como você (Glauco) explica a reencarnação dos outros dizendo que o Alfredo (não identificado) é o rei Salomão, que o Negão, o Mestre Irineu (fundador do Santo Daime) é a reencarnação de Jesus Cristo, assim como as pessoas dizem que você (Glauco) é São Padro e o Raoni é Davi, se vocês têm essa capacidade de falar em reencarnação digam quem é a reencarnação do meu irmão (Carlos Augusto)", explicou Cadu à polícia.

Depois de passar alguns minutos fazendo ameaças a Raoni, Glauco e sua mulher, Beatriz, Cadu teria entrado em desespero quando percebeu que Felipe aproveitou a descuido para fugir. Transtornado ele teria atirado na barriga do cartunista. Raoni reagiu e levou quatro tiros.

Mesmo ferido, Glauco ainda tentou reagir e foi alvo de novos disparos, um deles na cara. Cadu ainda explicou porque não atirou em João Pedro, um hóspede de Glauco que presenciou o crime. "O João Pedro é meio louco, não fala coisa com coisa".

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