Argentina pede que Brasil libere produtos retidos na fronteira

BUENOS AIRES (Reuters) - O governo argentino pediu nesta terça-feira ao governo brasileiro que libere o trânsito de mercadorias que estão retidas na fronteira comum, em um novo capítulo das habituais disputas comerciais entre as duas maiores economias sul-americanas. A Argentina classificou como inaceitável a retenção de caminhões na fronteira com mercadorias perecíveis e sem aviso prévio, disse o secretário de Relações Econômicas Internacionais da chancelaria argentina, Alfredo Chiaradía, ao embaixador brasileiro no país, Mauro Vieira.

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Diplomatas locais disseram a Vieira que Buenos Aires considera que existe "falta de transparência" nas medidas comerciais do Brasil, que afetaram o envio de produtos argentinos ao país vizinho, como farinha, pera, maçãs e alho, entre outros, disseram fontes da chancelaria argentina.

O Brasil, assim como a Argentina, aplica licenças não automáticas às importações. As fontes diplomáticas de Buenos Aires, no entanto, consideram que existe "uma acentuada assimetria" entre as medidas do Brasil e as da Argentina, "que são anunciadas com tempo antes de entrarem em vigor".

Uma fonte diplomática brasileira disse à Reuters que no encontro com Chiaradía, Vieira reiterou "preocupações" de Brasília com medidas semelhantes da Argentina, incluindo a demora de até 180 dias na liberação de licenças não automáticas de importação, quando o prazo máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) é de 60 dias.

Esses atrasos prejudicaram a entrada no mercado argentino de produtos brasileiros, como calçados, têxteis e móveis, disse a fonte.

O especialista em comércio, Dante Sica, um ex-secretário de Indústria da Argentina que dirige uma consultoria, afirmou que as medidas de restrição argentinas atingiram 17,3 por cento das importações locais feitas do Brasil.

(Reportagem de Guido Nejamkis)

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