Arcebispo do Recife diz que aborto é mais grave do que estupro

RECIFE - O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista ao Jornal Hoje, que o padrasto, suspeito de violentar a menina de 9 anos, não está incluído na lista de excomungados. Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente. Na quarta-feira, o arcebispo excomungou a mãe e a equipe médica envolvida na interrupção da gravidez da garota.

Redação |

AE
Dom José Cardoso Sobrinho
A gravidez foi descoberta no último dia 25 de fevereiro, quando a menina de nove anos se queixou de tonturas e foi levada pela mãe para a Casa de Saúde São José. Exames constataram que a criança já estava na 16ª semana de gestação e que a gravidez era de alto risco por causa da idade.

Segundo a polícia, a criança afirmou que os abusos começaram quando ela tinha seis anos de idade, e que o padrasto, de 23 anos, a ameaçava de morte caso contasse para alguém. Ele foi preso quando se preparava para fugir para a Bahia. Em seu depoimento, o padrasto teria confessado que também abusava da enteada mais velha, de 14 anos, portadora de deficiência física.

O Ministério Público, a Secretaria Estadual de Políticas para a Mulher e as ONGs Curumim e SOS Corpo acompanham o caso e irão oferecer recursos e tratamento psicológico para as vítimas.

Excomunhão

Na quarta-feira, o arcebispo excomungou os médicos envolvidos no aborto. A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor, disse o bispo.

De acordo com os médicos, a menina, que tem 1,33m e pesa 36kg, não apresentava estrutura física que sustentasse uma gravidez. Segundo eles, a paciente corria risco de vida caso a gestação continuasse. Além disso, a legislação brasileira permite o aborto em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestão.

A excomunhão do arcebispo se torna irrelevante para todas nós que ajudamos no caso. É irrelevante a posição do arcebispo. Essa é uma questão que não perpassa pela religião. Os médicos agiram conforme a lei. O Estado brasileiro tem que ser respeitado. A ação do Estado não pode ser regida pela ação religiosa, analisou Carla Batista, da ONG SOS Corpo.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, classificou de "radical" e "inadequada" a decisão da Igreja Católica de excomungar os envolvidos no aborto. Para Temporão, o ato de excomungar os envolvidos no aborto é um contrassenso diante do que aconteceu à criança.

Fiquei chocado com os dois fatos: com o que aconteceu com a menina e com a posição desse religioso que, equivocadamente, ao dizer que defende uma vida, coloca em risco uma outra tão importante.

Dom José Cardoso Sobrinho disse estar "muito satisfeito" com as declarações de apoio que tem recebido de religiosos do País e do exterior em relação à sua atitude de alertar para a excomunhão os católicos que praticam o aborto. Sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nesta tarde criticou a posição da Igreja Católica, o arcebispo rebateu: "Sugiro ao presidente que antes de se pronunciar sobre tema teológico, consulte um teólogo católico da sua confiança."

CNBB

Em nota oficial, os bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunidos para abertura da campanha da fraternidade, evitaram o tema da excomunhão. Eles se mostraram contra o aborto da criança , considerado precipitado, ao mesmo tempo em que repudiaram o estupro e o abuso sexual sofrido por ela.

*Com informações da Agência Estado


Leia também:

Opinião:

Leia mais sobre: abuso sexual

    Leia tudo sobre: abuso sexual

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG