Araguaia era vigiado desde anos 60, diz ex-informante

Nos últimos 37 anos, o Exército e o PC do B mantiveram a mesma versão sobre a descoberta da Guerrilha do Araguaia, em 1972. As histórias oficiais dos dois lados do conflito no Bico do Papagaio destacam que os militares chegaram à área após os depoimentos sob tortura dos ex-guerrilheiros Tereza Cristina e Pedro Albuquerque Neto, presos em fevereiro daquele ano.

Agência Estado |

Mas o ex-informante do Exército e ao mesmo tempo carteiro dos guerrilheiros, o fazendeiro Clobiniano Alves, relata que meses antes da prisão do casal agentes de inteligência já tinham informações bem detalhadas da guerrilha e de comandantes de destacamentos, como Osvaldo Orlando Costa, o Osvaldão, e Paulo Mendes Rodrigues. Segundo ele, os primeiros informes sobre Osvaldão foram passados aos militares ainda em 1966.

Pedro e Tereza, que vivem em Fortaleza, nunca mais voltaram à região da guerrilha. Mas o ex-informante, que mora em uma fazenda em São Geraldo do Araguaia, a 20 quilômetros do Rio Araguaia, tem uma versão diferente sobre a descoberta do foco guerrilheiro comunista. Clobiniano contou que viu Pedro retornar preso como um “papagaio” para localizar sítios ocupados pelos guerrilheiros. Antes disso, o barqueiro presenciou diversos moradores darem informações aos militares sobre os “paulistas”, como os guerrilheiros eram conhecidos na região.

O próprio Clobianiano diz que deu longos depoimentos ao Exército. “Eu era neutro. Fiquei do lado do Exército porque era o lado forte. Era obrigado a dizer quem era guerrilheiro. Era o meu trabalho”, conta. Clobiniano relata que recebia pelo “trabalho”. Segundo ele, o serviço era forçado. “Antes do rapaz (Pedro Albuquerque) aparecer preso, os militares já estavam aqui disfarçados de garimpeiro, vaqueiro, roçador e marinheiro”, diz.

De tradicional família de barqueiros do Araguaia, Clobiniano, de 63 anos, conta que, enquanto negociava com os guerrilheiros, levava no barco militares disfarçados de ajudantes. O pai do barqueiro, Manoel Cerilo Nepomuceno, o "Manoel Claro", era informante das Forças Armadas na região desde o começo dos anos 1960. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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