Aquecimento global contribuiu para inundações, diz especialista

Meteorologista explica porque chove tanto no Sudeste brasileiro nesta época do ano

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Paolo Nespoli/ Nasa
É possível ver as nuvens acima da cidade do Rio de Janeiro na fotografia tirada pelo astronauta Paolo Nespoli na Estacão Espacial Internacional
O aquecimento global não é a causa, mas contribuiu para que as chuvas tenham resultado em inundações pelo mundo neste mês de janeiro. De acordo com Omar Baddour, especialista do WMO (World Meteorological Organization) o derretimento das geleiras faz com que a atmosfera fique mais úmida, piorando as chuvas já típicas desta época do ano.

Baddour explica porque chove tanto entre dezembro e janeiro no Sudeste brasileiro: “As chuvas estão associadas à formação de nuvens que se desenvolvem de maneira vertical, com chuva, por vezes fortes o suficiente para raios e trovoadas. É a zona de convergência do Atlântico Sul, formação de nuvens em cima do continente, que vai desde a bacia amazônica, passando pelo centro do país até a região Sudeste. Ela aumenta a umidade na atmosfera, provocando chuvas”.

“Extremos meteorológicos como as fortes chuvas podem ocorrer naturalmente. Mas no longo prazo, podemos dizer que o aquecimento global tem afetado a intensidade dos fenômenos climáticos associados a fortes chuvas. Na verdade, isto é explicado fisicamente por uma maior quantidade de vapor de água dos oceanos e das florestas por causa de temperaturas mais elevadas, de modo que as nuvens que se formam podem se tornar maiores e aumentar a precipitação gerada”, disse Baddour.

De acordo com o meteorologista, a intensidade da chuva na serra fluminense pode ter sido agravada pela influência do Oceano Atlântico. “O aquecimento global pode ter produzido um fluxo de umidade maior na atmosfera vindo do Atlântico, que conduziu as fortes precipitações”, disse.

De fato a alta umidade foi o grande destaque dias antes da chuva na serra fluminense. “É muita umidade na atmosfera, por isto a intensidade da chuva”, disse José Felipe Farias, meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Diferenças entre países
As chuvas ocorridas na Austrália e no Brasil, que provocaram inundações nos dois países neste mês, não podem ser relacionadas. “São eventos diferentes, com formações diferentes que neste ano tiveram impacto maior”, disse Baddour. Ele explica que na Austrália houve a influência do fenômeno La Niña, que aumentou muito a umidade atmosfêrica, provocando chuvas.

“No Brasil, é um pouco mais complicado. Embora o fenômeno La Niña deva ser considerado como uma possível causa, nós ainda não sabemos o quanto ele pode ter influenciado as diferentes zonas climáticas e nos últimos meses no Sudeste do Brasil”, disse.

As chuvas na região serrana do Estado do Rio devem continuar e podem ser mais intensas. “De hoje até terça-feira continua o fluxo de umidade e em alguns momentos haverá abertura de sol, o que produzirá mais umidade e mais chuva, disse Farias.

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