Meteorologistas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) já anunciavam, em boletim publicado em 22 de janeiro, que os três primeiros meses deste ano teriam chuvas numa categoria classificada como ¿normal a acima da normal¿ nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do País. O verão brasileiro tem início em 21 de dezembro e termina em 20 de março.



Para essas regiões, a previsão era de que os totais de precipitação variassem em torno de 300 milímetros e 700 milímetros ¿ só nas últimas 24 horas, choveu 288 milímetros somente na cidade do Rio de Janeiro.

A previsão tinha como principal suporte a persistência do fenômeno El Niño, que mantém as águas quentes ¿ em torno de 2ºC ¿ na região do Pacífico Equatorial entre fevereiro a abril de 2010. A persistência de águas superficiais mais quentes que o normal nos oceanos Atlântico Norte e Sul favorece a atuação do que os meteorologistas chamam de Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ao norte de sua posição climatológica e, consequentemente, a ocorrência de chuvas acima da média no Sudeste do Brasil.

A ZCIT é um dos mais importantes sistemas meteorológicos que atua nos trópicos e determina diferentes condições de tempo e de clima em diversas áreas da região tropical.

Não por acaso, o final de dezembro e início de janeiro, no Brasil, foram marcados pela ocorrência de temporais no Rio de Janeiro e no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. As chuvas nessas regiões provocaram deslizamentos, destruição e mortes em cidades como Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga (SP), logo no início do ano.

De acordo com a meteorologista Mônica Lima , do Cptec, o Estado do Rio de Janeiro sofre com problemas geográficos, principalmente nas regiões montanhosas que, além da frente fria, são influenciadas pela pressão dos ventos oceânicos que acentuam o acumulado de chuvas nesses pontos.

As previsões indicavam ainda maior probabilidade de chuvas abaixo da média histórica no norte da região Norte e na maior parte do Nordeste do Brasil. No verão passado, o cenário era diferente: houve mais precipitações no Norte e Nordeste e seca no Sul devido aos efeitos do fenômeno La Niña, contrário ao El Niño.

O fenômeno El Niño continua ativo na região do Pacífico Equatorial neste segundo trimestre do ano. Entretanto, seu declínio está previsto para o início do inverno, segundo previsões climáticas do Inpe publicadas em 23 de março. Assim, a probabilidade ainda é de chuvas abaixo da média em grande parte das Regiões Norte e Nordeste do Brasil e chuvas ainda acima da média sobre a Região Sul.



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