Aprendi a ficar mais perto das pessoas. Esta foi, segundo o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sua grande mudança desde que foi derrotado na eleição à Presidência da República em 2002. Ele fez a revelação nesta sexta-feira em entrevista a uma emissora de TV de Fortaleza (CE), onde fez palestra para empresários e profissionais liberais, a convite do Centro Industrial do Ceará (CIC).

Na entrevista, o provável candidato tucano à Presidência previu uma eleição apertada. "A eleição do ano que vem não vai ser nenhum 4 a 0, 6 a 0", afirmou, ao avaliar que o resultado da eleição de 2002, se visto como uma contagem de futebol, teria um placar de aproximadamente 3 a 2. "Óbvio que o eventual candidato do governo federal vai ter uma porcentagem boa de votos", complementou. "Pode não ganhar, mas não vai ficar lá embaixo."

Serra minimizou, mais uma vez, os resultados da última pesquisa CNT Sensus, que mostraram queda na preferência pelo tucano nas eleições presidenciais. Ele também negou estar intensificando uma agenda com fins eleitorais. "Não estou com nenhum ritmo de viagens para outros Estados que seja diferente de dois ou três anos atrás", disse. "Só que agora tudo é interpretado na ótica eleitoral". Serra justificou a agenda de viagens pelo fato de ser governador de um Estado grande como São Paulo.

Sobre o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que pede que o partido defina ainda este ano o candidato tucano à Presidência, Serra disse só ter falado com o colega por telefone. "Ele vai definir seu caminho conforme aquilo que analise que é o melhor", afirmou. "Vamos respeitar, mas acho que o nome dele é importante para ser considerado como candidato a presidente, sem dúvida nenhuma."

Na palestra, Serra destacou ser um político "do Brasil" e não um político paulista, frisando ser um aliado do Nordeste. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) destacou que nenhuma obra estruturante foi realizada no Ceará, até o momento, nos oito anos do governo Lula. "Praticamente todas as obras estruturantes que vieram para o Ceará foram dadas a mim, como governador do Estado, por Serra, quando ministro do Planejamento", disse, citando o aeroporto de Fortaleza, o Porto de Pecém e a barragem do Castanhão.

Apresentado pelo presidente da CIC, Robinson Castro e Silva, como bom gestor e competente, Serra recebeu uma camisa do Ceará, que passou à primeira divisão do futebol brasileiro, com seu nome inscrito. O governador parabenizou o time cearense, lamentou pelo Fortaleza, que caiu para a segunda divisão, e pediu para não fazerem suar o Palmeiras, seu time de coração.

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