Aprenda a cuidar de carros e eletrodomésticos em enchentes

SÃO PAULO - Os prejuízos materiais em épocas de enchente são, na maioria das vezes, certos e inevitáveis, seja dentro de casa ou fora dela. A escolha sensata dos bombeiros por salvar vidas obriga as pessoas a abrirem mão de bens que muitas vezes demoraram anos para serem adquiridos, como eletrodomésticos, carros e até mesmo casas inteiras.

Paula Paulenas, repórter do Último Segundo |

Acordo Ortográfico De acordo com o bombeiro tenente Victor de Freitas Carvalho, durante o resgate de pessoas em enchentes, não é possível salvar também bens materiais.Em todos os casos de emergência a prioridade no trabalho dos bombeiros é a preservação da vida humana. Objetos pessoais e outros bens devem ser deixados no local, sejam eles uma casa ou um automóvel, para que a retirada da pessoa da área de risco seja a mais rápida e segura possível.

O risco de desabamento de casas é maior em locais de encostas de morros, já que nessas regiões o solo absorve muito mais a água das chuvas, fica encharcado facilmente e suscetível a deslizamentos.

O engenheiro civil formado pela Universidade de São Paulo, Ney Leão, de 55 anos, explica que quando o terreno tem muitas subidas e decidas, a água das chuvas chega com maior velocidade e isso, junto com o solo frágil, acaba favorecendo os deslizamentos. E quando desliza, leva tudo que tem em cima dele, vai tudo junto, vai tudo embora.

No entanto, em regiões mais planas, onde a velocidade da água é menor, os problemas são as fundações (estruturas enterradas no solo, alicerce), que muitas vezes são superficiais, segundo o engenheiro. Quando acontece de o solo ceder um mínimo que seja, acabam aparecendo as trincas e rachaduras e é aí que é precisa haver reestruturação, diz.

Para Leão, é fundamental que um especialista analise as rachaduras, para ver se sua causa é realmente a fundação. Se for, às vezes um reboque e uma tela resolvem o problema, mas às vezes é necessário refazer paredes inteiras, alerta.

Aparelhos elétricos

Além da estruturas das casas, outras dificuldades pelas quais podem passar as vítimas das enchentes são relacionadas aos bens que ficaram em seu interior, que muitas vezes não têm como serem consertados.

O professor de engenharia elétrica da FEI, Mario Kawano, é taxativo: Não tem como recuperar os aparelhos eletro-eletrônicos, exatamente porque eles contêm componentes eletrônicos que, se ligados, certamente vão provocar curto-circuito".

Ele diz que a única maneira de não perdê-los é desmontar todo o aparelho e secar cada uma das partes. Porém, em aparelhos como computador, televisores, rádios, máquinas fotográficas, liquidificadores e microondas, há transformadores com peças que também precisam estar secas, e estes não têm como serem desmontados.

Os únicos bens que podem ser recuperados são a geladeira, cujo motor é blindado, impedindo a entrada de água, e o fogão, que não tem parte elétrica na maioria das vezes. Na opinião do professor, apenas uma boa limpeza já resolve o problema.

Kawano alerta, no entanto, que ao ser religada, a geladeira pode gastar mais energia que o comum por causa da umidade dos componentes, mas a tendência é de voltar ao normal com o passar dos dias. No fogão, o único problema que pode haver é no acendedor automático que, se parar de funcionar, não volta mais, segundo o professor.

Automóveis

Com os carros, a situação é diferente. É possível recuperá-los e evitar que eles tenham problemas, mas é fundamental que alguns cuidados sejam tomados. O primeiro é em relação ao motor. É preciso retirar toda a água dele, para evitar o chamado calço hidráulico, que é o travamento do motor ocasionado pelo acúmulo de água.

Para este serviço é necessária a ajuda profissional e é preciso ter muito cuidado, pois a maioria das seguradoras de veículos não dá cobertura para este tipo de problema. Como na maioria das vezes o travamento acontece na hora em que se dá partida no carro, é importante que o trabalho de drenagem seja realizado antes de ligá-lo.

O professor de engenharia mecânica da Unicamp e especialista em segurança veicular, Celso Arruda, alerta também para a necessidade de troca de todos os líquidos do veículo, como óleos e lubrificantes. É preciso relubrificar todos os componentes que são originalmente lubrificados, já que a água lavou toda a parte interna do carro. Tem que examinar também todas coifas, todos os acessórios, todas as partes do carro, porque se tiver qualquer buraquinho, em qualquer lugar, a água pode ter entrado.

Outro problema em enfrentar a enchente é a corrosão e o bolor em diversas partes do automóvel, sem contar com o mau cheiro que fica no carro por um bom tempo. Para evitar essas complicações, o professor recomenda trocar todo o carpete e o estofamento do veículo, o que, para ser bem feito, também precisa ser realizado por profissionais.

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