Embora um estudo da Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro sustente que a apreensão de armas é o golpe mais duro na base financeira das quadrilhas, os registros de armamentos tomados de bandidos pela polícia caiu quase pela metade em dois anos na capital fluminense. No ano passado, foram 3.

459 armas apreendidas na cidade, número cerca de 20% menor do que o de 2007, segundo os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio. Em 2006, a polícia tomou dos bandidos 6.019 armas. O levantamento destacou ligeiro aumento da concentração de armas de grosso calibre, como fuzis, entre os artefatos tomados de criminosos no ano passado. Já a taxa de apreensão de artefatos explosivos pela Polícia Militar tem se mantido no patamar de 1.200 por ano.

Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo no domingo, uma pesquisa da subsecretaria de Estudos Econômicos da Fazenda estadual indicou que o lucro das quadrilhas cariocas com a venda de drogas gira em torno de R$ 130 milhões. Além da compra dos produtos e dos gastos com mão de obra, os traficantes gastam só com a reposição de armamento quase R$ 25 milhões. O estudo recomenda a presença da polícia nas comunidades com o objetivo de apreender armas para enfraquecer o poder econômico do tráfico, que para os técnicos já está em crise.

De acordo com o levantamento, o prejuízo com a perda de fuzis, por exemplo, tem efeitos em cascata. Pode reduzir a demanda ao provocar a alta dos preços praticados pelos traficantes cariocas, que segundo a pesquisa dependem do mercado local, cada vez mais deslocado para classes de baixo poder aquisitivo. A redução dos lucros com as apreensões, aponta o estudo, também pode desestimular a entrada de jovens no crime ao forçar a queda da remuneração dos bandidos.

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