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Síndrome das Pernas Inquietas atinge 5% da população geral

Toda vez que tenta descansar, principalmente durante à noite, o analista de sistemas João Gabriel, de 20 anos, sente uma vontade irresistível de mover as pernas. Às vezes, nem percebo que estou mexendo.

Agência Estado |

Só acabo notando quando a minha namorada me manda parar", diz João Gabriel. O problema, chamado de síndrome das pernas inquietas (SPI) ou síndrome de Ekbom, atinge 5% da população geral e 10% das pessoas acima de 65 anos, segundo estimativas da Associação Brasileira da Síndrome das Pernas Inquietas (Abraspi).

"Às vezes, o paciente nem consegue dar nome à sensação", diz o neurologista Gilmar Prado, responsável pelo site da Abraspi e chefe do setor Neuro-Sono da Disciplina de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

As causas desse mal ainda são desconhecidas, mas muitos neurologistas acreditam que o sistema dopaminérgico (responsável pelas sensações de prazer e bem-estar) e de dor estão relacionados. O problema também aparece em pessoas que estão com falta de ferro ou com insuficiência renal.

Segundo a neurologista Susan Chien Hsin Fin, do Centro de Acupuntura do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, a SPI aparece normalmente no período noturno. "A pessoa sente um mal estar absurdo que a leva a mexer as pernas", explica Susan.

A SPI incomoda ainda mais porque pode causar dificuldades para adormecer ou continuar dormindo. "Aproximadamente 80% das pessoas com SPI têm também movimentos periódicos dos membros durante o sono (PLMS)", diz Prado. Esses "trancos" acontecem a cada 20 a 30 segundos durante a noite e causam pequenas interrupções no sono.

O tratamento é feito com medicamentos que agem modulando o sistema dopaminérgico e da dor. Susan diz que é importante diferenciar a SPI de tique nervoso (involuntário) e daquele nervosismo que leva algumas pessoas a mexerem as pernas durante uma reunião chata, por exemplo. "Na SPI, a pessoa mexe a perna voluntariamente, como forma de aliviar a inquietude que está sentindo", diz.

Diagnóstico

Muitos pacientes não sabem nem como descrever o transtorno neurológico chamado síndrome das pernas inquietas (SPI) e vários médicos também desconhecem o problema. Com o intuito de tornar a classe médica mais informada sobre a SPI, pesquisadores de instituições brasileiras desenvolveram um documento para divulgar as formas de diagnóstico e tratamento da doença.

A pesquisa foi publicada recentemente em um artigo na revista "Arquivos de Neuropsiquiatria", com o título de Síndrome das Pernas Inquietas: Diagnóstico e tratamento - opinião de especialistas brasileiros. Segundo um dos autores do documento, o médico Flávio Aloé - do Centro Interdepartamental para os Estudos do Sono do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP -, dados do Canadá e Estados Unidos indicam que só de 15% a 23% dos portadores do transtorno são corretamente diagnosticados. Ainda assim, Aloé acredita que no Brasil a situação seja mais grave.

Lola Félix

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