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Sansão e Dalila estréia sábado no Municipal de SP

Respeitar a dualidade de concepção de Sansão e Dalila , de Camille Saint-Saëns - que, iniciado como um oratório dramático, converteu-se em ópera por sugestão de Franz Liszt, que haveria de estreá-la em Weimar - foi a preocupação que guiou o diretor cênico André Heller-Lopes na concepção da montagem que estréia sábado no Teatro Municipal de São Paulo. Em entrevista, ele chamou a atenção para a natureza essencialmente de uma obra que se equilibra entre o religioso e o profano, e mostra Sansão como o homem público, juiz e líder, e como o homem apaixonado e atormentado pela solidão e seu destino fatal.

Agência Estado |

"Ao invés de tentar solucionar essas ambigüidades, preferi investir nelas como fio condutor da encenação", diz o diretor.

Em Londres, onde trabalhou como assistente de direção no Covent Garden e dirigiu seus próprios espetáculos, Heller diz ter observado montagens que querem "atualizar o contexto criando escândalo, como se faz desde os anos 80 e, infelizmente, ainda com muita freqüência hoje em dia". Mas também teve contato com produções que "buscam um entendimento renovado da obra, que permitam ao público de hoje comunicar-se com o drama e a música com a mesma intensidade que o da época da estréia". Nesse sentido, para ele, "o papel do diretor é o de ser um canal por meio do qual compositor, artistas e obra possam mais facilmente provocar emoção ao publico". "E, para isso, a música é a fonte de inspiração primária para criar as imagens e cenas."

Para o diretor, Sansão é um herói que, como os heróis da tragédia grega, é um ser especial pela forma digna, sobre-humana, como enfrenta um destino adverso, traçado para ele por uma forca superior. "Do libreto de Lemaire, veio a concepção dos dois outros personagens principais do espetáculo. Dalila é descrita de forma muito breve na Bíblia, e o sumo-sacerdote é criação do libretista. Dalila, imaginada para a diva Pauline Viardot, reflete uma percepção do feminino típica da segunda metade do século 19: a mulher que, a pretexto de defender o seu povo, vinga-se cruelmente por seu amor ter sido desprezado. Ela foi trocada, traída, por assim dizer, por um deus que não é o dela, e que lhe é estranho, incompreensível.

Quanto ao sumo-sacerdote, André Heller o vê como uma das encarnações do mal características do século 19. E comenta: Claro que, com nosso olhar mais nuançado do século 21, podemos ver nele motivações que, mesmo não justificando suas atitudes, nos deixam perceber os caminhos de sua mente. Assim como Sansão, ele é um juiz, um líder espiritual. O seu grande momento, além das intervenções sádicas do terceiro ato, quando ele comanda a humilhação publica de Sansão, é o dueto com Dalila, no terceiro ato, em que os projetos de vingança os unem de maneira quase sensual. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Sansão e Dalila. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, no centro de São Paulo. Tel. (011) 3397-0327. Dias 22, 24, 26 e 28, 20h30; dia 30, 17 h. R$ 20/ 40 (dia 24 - R$ 10/20).

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