Os musicais made in Broadway têm levado multidões aos teatros e casas de espetáculo de São Paulo. Atualmente, nove grandes produções estão em cartaz na cidade.

Não há dúvidas de que, de "Hairspray" a "Cats", tudo funciona tal qual um relógio suíço. São peças caras, com cenários que sobem e descem, figurinos luxuosos e atores competentes. Para alguns, no entanto, toda essa grandiosidade pode chegar a incomodar. Neste sentido, a criação do musical "Revista do Bixiga", com estreia prevista para agosto, tem a pretensão de mostrar um trabalho mais paulistano, sem, no entanto, abrir mão dos investimentos, já que o projeto não custará pouco: R$ 1 milhão.

O espetáculo está sendo criado coletivamente nos labirínticos corredores do teatro Sérgio Cardoso - num processo que se iniciou em março e deve prosseguir até a véspera da estreia. Há 24 atores já selecionados para participar do projeto, e também estão sendo realizadas oficinas para formação de profissionais de bastidores, como contrarregras, camareiras, cenotécnico e outros. Em muitos casos, os participantes dessas oficinas são moradores do próprio bairro ou indicações de ONGs que atuam na região. No final do processo, cerca de 100 pessoas serão selecionadas para trabalhar diretamente na montagem - com um salário que pode chegar a R$ 1.700. O dinheiro para pagar esse pessoal e bancar todo o projeto (cerca de R$ 1 milhão) virá dos cofres públicos, mais especificamente da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), ligada à Secretaria de Estado da Cultura.

"Estamos resgatando esse jeito de fazer teatro de grupo, conectado com a nosso realidade, sem as amarras de um musical importado", diz o diretor, Mario Masetti. "Além disso, é um investimento na formação de técnicos, coisa rara no Brasil. A maioria dos profissionais que atua aqui aprendeu tudo na raça." O ator Eduardo Silva, 46 anos, gosta do caráter bairrista do espetáculo. "Vou adorar cantar as coisas do Bixiga", fala. "Nesta produção, podemos trabalhar com muita criatividade", completa a atriz Márcia de Lima, 40 anos.

O espetáculo será formado por quadros, com histórias independentes, desenvolvidas por um time de dramaturgos, composto por Edu Salene, Enéas Carvalho e Ana Sajeze. Entre essas histórias, estão as aventuras de um garoto que dá vida a uma estátua da Praça Dom Orione depois de fazer xixi sobre ela; o romance de uma filha de italianos com um sambista de uma escola de samba; o bate-papo entre duas fofoqueiras; e os segredos de uma vedete do bairro. A criação musical de "Revista do Bixiga" será da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo. As informações são do Jornal da Tarde.

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