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Pensamos que iríamos morrer , afirma estudante resgatada de veleiro naufragado

Ainda muito assustadas, estudantes canadenses que estavam a bordo do navio veleiro Concórdia, que naufragou na costa do Rio de Janeiro na última quarta-feira, relataram os momentos de pavor que passaram na embarcação. ¿Pensamos que iríamos morrer¿, afirmou Katharine Irwin, de 16 anos.

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Segundo as jovens, por volta das 14h, quando o veleiro foi atingido por fortes rajadas de vento, elas assistiam a uma aula de biologia que tinha acabado de começar, na parte superior do navio. Quando a embarcação começou a virar, os alunos quebraram as janelas da sala onde estavam e escalaram para pegar os coletes salva-vidas.

Anderson Dezan/US

"Achamos que iríamos morrer", afirmou Katherine Irwin (segunda a partir da esq.)

Recebemos treinamento para saber como se comportar em situações de perigo e isso foi muito útil. No entanto, tem um ponto em que o treinamento não é suficiente e você age no instinto. Eu sabia que deveria colocar a roupa de emergência e entrar no bote salva-vidas", relatou Keaton Jane Farwell, de 17 anos.

AE

Keaton Jane Farwell acena durante chegada ao Rio

As estudantes contaram que dentro dos botes os tripulantes beberam água da chuva para poupar água potável. Não tínhamos ideia de quanto tempo íamos ficar no mar", avaliou Katharine Irwin. De acordo com elas, por causa do mau tempo, as ondas no mar eram muito altas e os ocupantes das balsas faziam um rodízio nas tarefas de tirar a água do bote e vigiar o horizonte.

Quando a aeronave da Força Aérea Brasileira chegou ao local, os sobreviventes lançaram sinalizadores. A mesma atitude foi tomada pelas outras três balsas e, assim, eles tiveram a noção que estavam próximos uns dos outros. Foi o melhor sentimento do mundo, disse Keaton Farwell.

Rajadas de vento

O capitão do veleiro Concórdia afirmou neste sábado que um evento climático atípico foi o responsável pelo acidente. Segundo o americano Also William Curry, de 59 anos, fortes rajadas de vento verticais tombaram o navio em poucos segundos . O naufrágio aconteceu a cerca de 550 km da costa do Rio de Janeiro, na altura do município de Cabo Frio, na Região dos Lagos.

Anderson Dezan/US

Capitão do Concórida, Also William Curry, durante a entrevista coletiva

Foi uma situação extraordinária. Aconteceram rajadas de vento verticais (normalmente as rajadas são horizontais), e por isso o navio inclinou, relatou Curry em entrevista coletiva. O acidente ocorreu por volta das 14h15 da última quarta-feira (17), e embora a previsão do tempo fosse desconfortável para este dia, não havia nada de excepcional, segundo o capitão.

Curry afirmou que muitos navios a vela já foram perdidos por causa desse tipo de evento climático. Essas rajadas de vento verticais não têm como serem previstas. Foi um azar o navio estar naquele ponto do oceano, na hora em que o fenômeno ocorreu, analisou o capitão.

Resgate

De acordo com Curry, em cerca de 15 segundos a água tomou a área emborcada do veleiro. Neste momento, o alarme já foi acionado, mas a Marinha viu o aviso às 21h da quarta-feira. Como o disparo foi

AE

Canadense ferida chora ao chegar à Base Naval da Marinha

contínuo, ela enviou um avião da Força Aérea Brasileira pra localizar o navio às 17h do dia seguinte (quinta-feira).

Por volta das 20h, a aeronave localizou uma balsa salva-vidas com pessoas nas proximidades do local onde foi detectada a emissão do alarme. A Fragata Constituição foi enviada para a região e três navios mercantes que estavam naquela área marítima foram deslocados.

O navio mercante Hokuetsu Delight, resgatou três balsas com 44 pessoas ainda de madrugada. Pela manhã, o Cristal Pioneer resgatou a última balsa com 20 pessoas. Os tripulantes do Concórdia aguardaram o resgate por quase 40 horas, acomodados em quatro balsas. Nunca tinha passado por uma situação semelhante, afirmou o capitão sobre o evento climático.

Desembarque no Rio

Na manhã deste sábado, a Fragata Constituição trouxe 13 dos 64 náufragos do veleiro Concórdia à Base Naval do Rio de Janeiro , na Ilha de Mocanguê, na Baía de Guanabara, próximo à Ponte Rio-Niterói. Os demais tripulantes resgatados estão nos navios mercantes Hokuetsu Delight e Cristal Pionner e devem chegar na parte da tarde.

AE

Sobreviventes acenam da Fragata Constituição, que os resgatou no Rio

Todos os passageiros seriam transferidos para as fragatas Constituição e Liberal, mas a operação foi interrompida por motivos de segurança e do pôr-do-sol. Dos 13 tripulantes resgatados, 12 são estudantes, com idades entre 16 e 20 anos, e um é o capitão do navio, Also William Curry.

No total, cidadãos de dez nacionalidades estavam no veleiro Concórdia: Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Polônia, México, Austrália, Nova Zelândia e Japão.

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