Estrelado pela atriz inglesa Kate Winslet, que faz o papel de uma ex-guarda de campo de concentração na Alemanha nazista, O leitor, filme baseado do romance autobiográfico do alemão Bernhard Schlink, best-seller traduzido para 40 idiomas, foi projetado nesta sexta-feira no Fesival de Cinema de Berlim.

"O leitor", que foi indicado a cinco categorias do Oscar - entre elas, Melhor Filme e Melhor Atriz para Winslet - é uma das três produções sobre o passado nazista da Alemanha exibidas na Berlinale este ano, junto com "Adam Resurrected", de Paul Schrader, e "John Rabe", de Florian Gallenberger.

"Interpretar a personagem de Hanna era uma grande responsabilidade. Li o livro há seis anos. A história me comoveu muito, principalmente a relação amorosa entre essa mulher e o jovem Michael. É uma história que marca por toda a sua vida", disse a atriz inglesa em uma entrevista coletiva.

A história é ambientada no fim dos anos 50, em uma Alemanha que tenta aos poucos se reconstruir depois da derrota na Segunda Guerra Mundial e das atrocidades do nazismo. Michael, de 15 anos, conhece Hanna, uma mulher mais velha que ele, que trabalha como cobradora de bonde.

Hanna inicia Michael no amor, mas, em troca, pede que ele leia para ela todos os livros que puder de Homero a Tolstoi, de Tchekov a Schiller. Ele não percebe que ela é analfabeta.

"O filme não é sobre o Holocausto, e sim sobre os efeitos do pós-guerra na Alemanha, o impacto que esse período teve sobre os alemães. Há muitos filmes sobre a barbárie nazista da perspectiva das vítimas, mas aqui é diferente, é a história de uma ex-nazista que tenta viver com a culpa e a vergonha", declarou o diretor Stephen Daldry, indicado ao Oscar de Melhor Direção.

Michael, interpretado pelo jovem ator alemão David Kross, de 18 anos, sofre sua primeira perda amorosa quando Hanna desaparece sem deixar vestígios. Oito anos depois, estudante de Direito em Berlim, ele assiste ao julgamento de cinco ex-guardas nazistas do campo de concentração de Aushwitz - entre elas, Hanna.

"No colégio, estudamos profundamente o tema do nazismo e a Segunda Guerra Mundial. Li muito sobre essa época. Tinha uma grande responsabilidade. Espero que meus amigos, as pessoas da minha geração, vejam o filme. É um filme que os fará refletir", declarou.

O escritor Bernhard Schlink, cujo livro foi publicado em 1995, reconheceu, sem dar muitos detalhes, que havia uma grande dose de realidade na obra, e se mostrou satisfeito com a adaptação.

"Cada livro se baseia em uma experiência pessoal. Este também. Hanna aparece no começo como uma mulher pouco amável, rude. Às vezes é suave, às vezes medrosa ou brutal. Era uma forma de ocultar seu segredo", explicou.

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