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Nunca imaginei que fosse enterrar meu filho e minha neta , diz parente de vítima

¿Nunca imaginei que fosse enterrar meu filho e minha neta. Isso não é a ordem natural das coisas¿. Assim resumiu sua dor o mecânico José Aparecido de Souza, que perdeu os parentes na tragédia de Angra dos Reis neste réveillon. Adauto de Souza, de 31 anos, e Rafaela de Souza, de 8 anos, morreram enquanto dormiam no deslizamento de terra que matou dezenas de pessoas em Ilha Grande.

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Pai e filho trabalhavam juntos na oficina mecânica de Arujá, interior de São Paulo. O reconhecimento de Adauto e Rafaela foi feito ontem no Instituto Médico Legal (IML), mas José sentiu que perdeu o filho e a neta na tragédia em Ilha Grande assim que viu na televisão as imagens do desastre, no dia anterior. Senti uma coisa aqui no peito, já sabia.

Por pouco José Aparecido não perdeu o outro neto, de 12 anos, José Felipe, irmão de Rafaela. O Felipe não foi porque não tinha mais lugar na casa. Ele ficou muito chateado de não ter ido, contou o avô. José Felipe ficou em Santos com a mãe, que é separada de Adauto. A namorada de Adauto, Priscila de Oliveira, também morreu no desastre.

Agora pela manhã, a estilista Lux-Coelia  Amorim Mendes, de 57 anos, esteve no IML para liberar os corpos da neta, Rafaela de Souza, 8 anos, e do ex-genro, Adalto de Souza, 34 anos. Ela fez o reconhecimento da neta na tarde de sábado a partir da roupa que a menina estava usando.

Foi o presente de natal que eu dei para  minha netinha. Foi o vestido de renda branca que eu mesma fiz para ela uma semana antes de ela viajar. Ainda hoje posso vê-la animada e feliz com a viagem que iria fazer com o pai, disse Lux-Coelia bastante emocionada.

Rafaela era uma menina falante que brincava muito com todas as crianças, afirma a tia Cristiane de Souza. A outra irmã de Adauto, Cecília de Souza, definiu a sobrinha como um anjo que Deus levou da gente .

José contou que os sobreviventes da casa alugada pela turma de Arujá estavam na varanda, tomando cerveja, quando o deslizamento destruiu a casa e os lançou ao mar. Quem estava na varanda, tomando uma cervejinha, sobreviveu, mas quem estava dormindo nos quartos não, relatou, com base em versões dos que sobreviveram. Os sobreviventes Flávio Larini, Luiz Henrique Alegri, Gérson Valério e Noeli Valério sofreram escoriações nas pernas e braços.

O grupo de 17 pessoas, com idades entre 25 e 35 anos, havia chegado na Ilha Grande na terça-feira para passar o réveillon e pretendia voltar a Arujá hoje, no domingo. No grupo havia três crianças.

Todos os anos os amigos passam o réveillon juntos. No ano passado se reuniram em Florianópolis para a virada.

Com Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro

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