Vestido de fraque e cartola nas cores azul e branco, da Unidos do Peruche, escola que ajudou a fundar, Carlos Alberto Caetano, o Carlão do Peruche, não conseguiu evitar um tom saudosista antes de entrar na avenida para o desfile da agremiação, que abriu a disputa do carnaval de São Paulo. Aos 79 anos, ele sentenciou: Isso é só disputa de escolas de samba.

Carnaval mesmo era como ocorria antigamente. Não isso aí", afirma. "Agora, a gente entra, desfila e vai embora para casa. Trabalha o ano todo para 65 minutos de samba".

Emocionado, ele lembrou dos bailes de carnaval de rua e dos desfiles dos blocos de antigamente. "Não existe marchinha de carnaval como antigamente, não tem mais aquela diversão do povo", analisa. "O carnaval começava na sexta-feira e ia até a quarta-feira de cinzas. As ruas eram tomadas pelos desfiles. Os blocos levavam mais de 2 milhões para a rua. Era muito diferente. Hoje não se vê mais isso", afirma.

Embora o tom de suas palavras fosse de saudosismo, ele não se limitou a lamentar. Com alegria, afirmou que a escola, que conquistou no ano passado o grupo de acesso e retornou à elite do carnaval paulistano, está voltando a unir a comunidade. "O mais importante é que a comunidade está voltando. Muita gente dispersou. Todas as outras escolas têm gente do Peruche desfilando", afirma, para logo mostrar que esse não é o seu caso. "Tenho quatro gerações na escola. Até meus bisnetos desfilam", conta.

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