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Estamos construindo prateleira de projetos , diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que decidiu lançar a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2, no último ano de governo porque é necessário e urgente garantir que cada companheiro, cada empresa, cada prefeito, cada governador e cada ministro tenha tempo para preparar os projetos das obras até junho. Segundo ele, já existem 441 projetos selecionados, com as obras preparadas para começar.

Agência Estado |

Mas, segundo Lula, dizer que está preparado para começar não quer dizer que ela vai começar. "Demora um tempo."

De acordo com Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu uma ordem de serviço para duplicar a BR-461, em Osório, no Rio Grande do Sul, e, em 2004, ele, Lula, teve que ir lá buscar a ordem e dar outra, "porque não aconteceu nada com a ordem do Fernando Henrique". "Tinha uma perereca no túnel que emperrou a obra por seis meses", ironizou.

Lula disse que, entre abril e junho deste ano, o governo estará discutindo com Estados e prefeituras mais de dez mil projetos. Ele lembrou que os recursos para essas obras terão que estar incluídos no orçamento de 2011. "Só vai ser feito em 2012 e nós não temos tempo a perder."

Ele disse que é preciso deixar prontos esses projetos para aqueles que irão assumir o governo, senão os novos governantes vão perder um ano para preparar essas obras. "Queremos deixar pronto para o pessoal começar e para que 2011 comece embalado como o time do Corinthians", brincou. "Estamos construindo uma prateleira de projetos para que os próximos governantes não peguem o País como nós pegamos. Não tinha projeto, tinha que começar do zero."

Lula afirmou que o governo está pensando o País quatro anos à frente, para que se possa construir o Brasil mais rapidamente. Segundo ele, o último presidente a fazer um grande investimento de infraestrutura foi Ernesto Geisel. "Depois dele, não teve mais ninguém que teve competência ou condições para fazer porque o País estava endividado", disse Lula, ressaltando, no entanto, que Geisel também deixou uma dívida externa grande para ser paga.

Ele lembrou ainda que, em 2007, fez um discurso afirmando que era preciso destravar o País e, por isso, foi lançado naquele ano, a Política de Desenvolvimento da Produção (PDP) que, segundo ele, foi uma revolução porque trata, entre outras coisas, de inovação tecnológica. Lula disse que, se não houver inovação tecnológica, "as coisas com as quais sonhamos não acontecerão, como o Brasil ser a quarta, quinta ou sexta maior economia do mundo". "Nós não queremos ser o campeão de exportação de suco de laranja, minério de ferro e soja, mas sim exportar conhecimento e inteligência", disse o presidente.

Economia

Mas, para isso, Lula afirmou que é preciso ter a roda da economia girando, com mais salários, mais renda. Para o presidente, a coisa mais importante que aconteceu no País foi provar que é possível crescer com renda, concomitantemente. "O resultado disso foi o enfrentamento da crise. Me enche de orgulho ver que as classes D e E consumiram mais que a classe A da região Sul do País."

O presidente disse que queria que a classe A tivesse consumido mais porque aumentaria o PIB, mas disse que esse movimento resultou numa pequena transferência de renda. Lula disse que vê a alegria do povo da favela com a presença do Estado lá dentro, levando casa, escola, cultura. "Não tem uma capital, uma cidade neste País que não tenha investimento do PAC. Como disse a ministra Dilma, ser republicano não é retórica de palanque. É colocar em execução", disse.

Lula afirmou que alguns governadores da oposição não compareceram à solenidade de hoje de lançamento do PAC 2 porque estão preocupados em gastar dinheiro do PAC antes de 2 de abril. O presidente disse que foi convidado para algumas inaugurações até esta data, mas que não poderá ir porque tem muita coisa a fazer em Brasília. Os governadores tucanos José Serra (São Paulo), Aécio Neves (Minas Gerais) e Yeda Crusius (Rio Grande do Sul) não estavam presentes à solenidade.

Competência

O presidente Lula também disse não estar contente com o que fez até agora. "Temos competência de fazer muito mais." Ele ressaltou que, mesmo em ano de crise, foram gastos R$ 12 bilhões no Bolsa Família, e que o próximo governo vai ter que fazer mais ou vai ter tanto dinheiro na economia que não vai precisar mais do Bolsa Família.

Lula lembrou das críticas que recebeu por causa do programa e repetiu que ouviu várias vezes: "Cadê a porta da saída?". "Os coitados não tinham nem entrado (no programa) e (os críticos) estavam perguntando pela porta da saída. Não sei por que pobre incomoda tanto nesse País."

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