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Acidentes urbanos levam 22 mil a procedimentos cirúrgicos em 2008

Todos os dias, 60 pessoas vão parar nas mãos de cirurgiões plásticos para tentar corrigir as marcas da violência. São, em média, 2,5 pessoas atendidas por hora, vítimas de batidas de carro, perfurações por tiro, agressões na rua.

Agência Estado |

Os dados foram divulgados ontem pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e fazem parte do primeiro levantamento específico sobre o tema. Foram 22 mil procedimentos cirúrgicos do tipo realizados ano passado apenas para restaurar as sequelas dos chamados “acidentes urbanos”.

Diferentemente da lipoaspiração ou do implante de silicone, esse tipo de plástica não tem foco na estética e entra no grupo de “cirurgias reparadoras”. Os números divulgados ontem mostram que, nessa categoria, a violência só perde para os tumores - reconstrução de mama e pele em caso de câncer - que responderam por 74 mil dos 150 mil procedimentos mapeados. Mas ainda que a estatística dos estragos proporcionado pelos atos violentos impressione os médicos (14,6% do total), eles dizem que os índices estão subestimados.

Não entram na conta, por exemplo, as plásticas para reverter as cicatrizes das queimaduras (foram 21 mil em 2008), sendo que uma parcela delas é criminosa, como reforça Sebastião Guerra, secretário da SBCP e responsável pelo setor de queimados do Hospital Mater Dei, em Minas. “Ainda que a queimadura intencional represente entre 3% e 5% do total, ela se destaca pela gravidade”, diz. “São provocadas por álcool ou gasolina ateados contra o outro. A destruição é profunda, já que a pele chega a 1.500 ºC.”

O cirurgião plástico Douglas Jorge, que é tesoureiro da sociedade e atua em serviços públicos de São Paulo, também coloca o fogo como instrumento do crime. “Antes das intervenções da Prefeitura na região da Cracolândia, por exemplo, era muito comum recebermos pessoas de lá queimadas em represália à dívida com traficantes”, diz. “Mas este não é o único impacto da violência na cirurgia plástica. Existem os acidentes de trânsito, atropelamentos e até as mordidas humanas, que arrancam orelhas, ponta de nariz.”

Infantil

As brigas e agressões são outras modalidades que por vezes exigem a interferência do bisturi. Da mesma forma que a queimadura, são marcas que algumas vezes ficam invisíveis na conta da violência. Podem estar computadas nos números de acidentes domésticos (em 2008 foram necessárias 12 mil plásticas para sanar as chamadas ocorrências caseiras). Dentre as vítimas que apanham e precisam da cirurgia plástica, muitas são crianças.

“A violência ainda é usada como ferramenta educativa. Já atendemos casos de um menino que a mãe ateou fogo para ensinar que a fogueira era perigosa; outros que apanharam tanto que foi preciso reconstruir a face”, conta Luciana Alves Antônio, advogada da ONG Aldeias Infantis, que trabalha em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). “Para a criança, a cirurgia plástica para sanar a violência física é uma forma de reviver a dor emocional. Ela sabe que não precisou do médico porque nasceu com algum defeito e, sim, porque foi vítima.” As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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