Após tragédia, vice-governador diz que Santa Catarina terá turismo recorde

SÃO PAULO ¿ O otimismo parece ser estratégia do Governo do Estado de Santa Catariana para evitar o desaquecimento econômico provocado pelas fortes chuvas que assolaram o Estado. Nesta quarta-feira (10), durante reunião com representantes do setor de turismo, o vice-governador, Leonel Pavan (PSDB), esbanjou otimismo. Os mais de 20 minutos de apresentação foram gastos para dizer que as cidades afetadas pelas fortes chuvas têm uma capacidade relâmpago de reestruturação.

Lívia Machado |

Apesar de não minimizar os danos e prejuízos provocados pelas enchentes, Pavan defende que o litoral foi pouco afetado. Segundo ele, apenas 42 praias foram atingidas. O impacto maior ocorreu na região norte do Estado, em áreas consideradas de risco e próximas a rios. Sofremos, ficamos abalados, as perdas foram grandes, mas temos estrutura e condições para receber turistas em todas as cidades. A rede hoteleira está preparada e o governo está investindo na limpeza das praias. Em poucos dias não teremos mais áreas impróprias para banhistas, explica.

Confiante, Pavan afirma que 2008 será o ano da virada, com recordes de visitação e lucros. Vamos fazer a melhor temporada de todos os tempos. Números não cairão, disse ele.

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Praia da Galheta, em Florianópolis

Em 2007, mais de 4 milhões de pessoas escolheram Estados da região sul como destino das férias e carnaval. Em Santa Catarina, a indústria do turismo representa 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, o equivalente a mais de 4 bilhões de dólares. A catástrofe não diminuiu a expectativa do vice-governador. Ele espera que, em 2008, o PIB alcance a casa dos R$65 bilhões de dólares e o turismo, R$4,5 bilhões.

Os lucros são tão significativos quanto o prejuízo parcialmente mensurado. A chuva comprometeu o funcionamento de portos importantes para a região. Aproximadamente 25 milhões de dólares são perdidos por dia por conta dos danos. Além disso, as 16 semanas de chuvas deixaram até agora 123 mortos e 29 desaparecidos, sem contar eventuais vítimas de doenças, como a leptospirose. Mais de 78 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas e seguir para abrigos públicos ou residência de familiares e amigos. Ao todo, mais de 1,5 milhão de pessoas foram afetadas.

O cenário não se mostra tão animador para as secretarias de turismo de cidades como Balneário Camboriú e Itajaí. Darlan Martins, diretor de planejamento turístico da Fundação Itajaiese de Turismo (Fitur), comenta que a entidade tinha projetado um aumento do movimento em relação a 2008 em torno de 5% a 8%. Agora, a expectativa é que a queda alcance de 15 a 20%.

AE
Vista aérea da cidade de Itajai,uma das mais afetadas pelas chuvas

Osmar de Souza, secretário de turismo da cidade de Balneário Camboriú, aponta que o município já registra uma queda de movimento significativa para a economia local. Tivemos queda de pelo menos 15% do movimento turístico de outubro e novembro. Além disso, aproximadamente 15% dos pacotes para Natal e Ano Novo já foram cancelados, diz ele.

Para justificar tamanha esperança, Pavan recorre a dados históricos. Ele aponta que, em 1990, como prefeito de Balneário Camboriú, também teve que enfrentar catástrofes provocadas pela natureza. O mar avançou sobre a avenida Atlântica e destruiu a região da beira-mar. Não se via os alicerces dos prédios. Passamos semanas de terror e logo depois tivemos a maior temporada da cidade, relembra. 

O número elevado de doações que o Estado recebeu, a mobilização nacional e internacional fez o vice-governador dizer que há um novo fenômeno: o turismo de sustentabilidade. Segundo ele, viajar para Santa Catarina será, além de lazer e diversão, um ato de solidariedade. Muitas pessoas estão dispostas a passar as férias e ao mesmo tempo ajudar os municípios a se reerguerem. O turismo no Sul é importante para a economia do País, conclui.

Para impulsionar a solidariedade turística, representantes de empresas do setor, também presentes no evento, prometem pacotes especiais, descontos e ofertas. O diretor comercial da CVC turismo afirma que as agências estão mobilizadas para oferecer preços competitivos e grandes promoções. Atrair turistas também é a preocupação das redes hoteleiras. Alguns hotéis já planejam descontos de até 50% na alta temporada. Há uma união, força-tarefa para ajudar o Estado, explica Pavan.

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