Após reunião com o governo, MST libera via bloqueada em São Paulo

SÃO PAULO - Uma comissão formada por dez integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se reuniu nesta quinta-feira com o presidente da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), Gustavo Ungaro, e com o secretário-adjunto da Casa Civil do Estado de São Paulo, Rubens Cury, no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista.

Redação com Agência Estado |

De acordo com a assessoria do MST, neste encontro, que durou três horas, ficou combinada uma próxima reunião, daqui há 15 dias. A pauta apresentada pelo movimento nesta quinta tinha como objetivo reivindicar celeridade na avaliação de terras públicas estaduais que possam ser usadas para a reforma agrária.

O Presidente do Itesp afirmou  não ver falhas no andamento dos exames das terras devolutas do Estado que possam ser usadas para reforma agrária.  Mas, segundo ele, a definição das áreas depende do resultado de ações na Justiça. De acordo com o MST, a comissão não ficou satisfeita com a reunião de hoje e pretende, num encontro do final do mês, falar diretamente com o governador José Serra (PSDB).

Nesta manhã, manifestantes do MST foram de seu acampamento em frente ao Estádio do Pacaembu até as proximidades do palácio, sede do governo de São Paulo.

AE
Policiais militares cercam imediações do Palácio dos Bandeirantes

Segundo a assessoria do movimento pela reforma agrária, os representantes do governo disponibilizaram dois ônibus articulados para que os manifestantes voltassem ao seu acampamento, assim o trânsito não ficaria prejudicado. Por volta das 18h15 a avenida Morumbi, onde o grupo estava concentrado, foi liberada. Os manifestantes aguardaram na calçada que os ônibus voltassem para transportá-los.

O MST afirma que cerca de 800 pessoas participaram do protesto. Já a Polícia Militar (PM) calcula que há 400 manifestantes. Um cordão da força tática da corporação bloqueou a passagem dos sem-terra, que se posicionaram perto dos policiais, formando também um cordão de bandeiras vermelhas da entidade.

O líder do MST, João Pedro Stédile, estima que haja 800 mil hectares de terras públicas griladas nas regiões do Pontal do Paranapanema e de Iaras. Ele destacou a necessidade de aumentar o plantio de alimentos em vez de, por exemplo, destinar terra para a produção de eucalipto. "Tem de plantar comida, não eucalipto nestas áreas", disse. 

Futura Press
Manifestantes em caminhada pela cidade de São Paulo

Ungaro minimizou as críticas feitas por Stedile. "A análise das terras devolutas vem sendo feita historicamente. Hoje, dos 172 assentamentos acompanhados pelo Itesp, 131 são estaduais, feitos pelo Estado a partir de áreas devolutas. Esse projeto continua", disse o presidente do Itesp. "Tanto há avanço que, na comissão de dez representantes do movimento dos sem-terra com que nos reunimos, nove eram 'com-terra', ou seja, assentados."

Ungaro reconheceu problemas fundiários "históricos" no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste paulista, e citou que correm na Justiça 55 processos em que o Estado tenta reaver terras devolutas nessa região. São 46 ações discriminatórias, para que a Justiça defina se as terras são públicas ou particulares, e nove ações reivindicatórias, em que se negocia o pagamento de indenizações aos atuais ocupantes dos terrenos. O Pontal abriga 106 assentamentos assistidos pelo Itesp, e quatro foram feitos em 2009.

De acordo com nota do Palácio dos Bandeirantes, um dos principais pedidos dos sem-terra foi melhorar o atendimento médico nos assentamentos. Segundo eles, alguns postos localizados em cidades da como Mirante do Paranapanema, Teodoro Sampaio e Euclides da Cunha - serão fechados.

O subsecretário da Casa Civil Rubens Cury, que também é médico, afirmou que o gerenciamento dos postos é responsabilidade da prefeitura municipal. Vou chamar os prefeitos das cidades que pretendem fechar esses postos de saúde aqui em São Paulo para rediscutirmos o assunto e manter esses postos em funcionamento, afirmou.

Outros protestos

Na tarde de quarta-feira, cerca de 800 pessoas, de acordo com a assessoria do movimento e a Polícia Militar (PM),  foram do estádio do Pacaembu até a avenida Paulista , protestando contra uma decisão do governo federal, que cortou a verba para reforma agrária .

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