Após quase dez anos sem shows no Brasil, João Gilberto canta sua bossa nova em SP

SÃO PAULO- Depois de quase uma década longe dos palcos brasileiros, João Gilberto quebra o jejum no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, onde acontecem nestas quinta e sexta-feira as duas primeiras apresentações pelo projeto de comemoração aos 50 anos da bossa nova, promovido pelo Itaúbrasil.

Redação |

No entanto, os ingressos para os shows na capital paulista, que custavam entre R$ 30,00 e R$ 360,00, estão esgotados desde o dia 5 de agosto, quando foram colocados à venda via internet e telefone.

Mesmo com as dificuldades para concluir a compra, uma vez que devido à grande procura o site estava demasiado lento e os números de telefone sempre ocupados, os felizardos que conseguiram garantir seu ingresso já têm uma idéia do que vão encontrar. Meio século após a invenção desta nova linguagem musical, que do encontro perfeito da voz com o violão romperia a batida tradicional do samba e instituiria um novo formato de canto, mais falado.

Para acompanhar o inventor da bossa nova, uma cadeira de madeira, um violão, dois microfones, um tapete e duas caixas de retorno. João Gilberto dispensa cenários e mega-produções. O ar-condicionado da casa também segue as exigências do mestre baiano: estará no ponto que fique confortável tanto para o músico e para a platéia. Esta última deve contribuir com o silêncio, portanto, a dica é desligar o celular antes mesmo do início da apresentação.


Mestre
Há cinqüenta anos na estrada com sua voz e violão, que mudaram o curso e estilo da música popular brasileira, João Gilberto ao vivo ainda é, na opinião de estudiosos e jornalistas dedicados a desvendar, entender e traduzir o fenômeno da bossa nova uma verdadeira experiência de vida, algo como uma obrigação do brasileiro.

Há quem jure que João Gilberto não canta, apenas fale ¿ inclusive a mesma canção, desde 1958; equívoco. Sem estridência, sua obra parece dar forma a um Brasil que se moderniza e se repete continuamente mantendo as contradições controladas. Inferir daí que João Gilberto esteja ultrapassado é uma idéia tosca. Sua obra artística permanecerá, materializando uma sociabilidade complexa: permanecerá oferecendo-nos a experiência de vivenciar um jogo em que sofrimentos e felicidades não se agudizam nem se anulam, mas convivem em tensão suspensa e em profundidade, explica Walter Garcia, músico, jornalista autor do livro Bim Bom: a contradição sem conflitos de João Gilberto (Paz e Terra, 1999).

Para Carlos Calado, jornalista e autor do livro Tropicália - A História de Uma Revolução Musical, dizer que João Gilberto faz sempre o mesmo show é uma bobagem semelhante a confundir chineses com japoneses ou coreanos. Mesmo quando canta e toca os já cinqüentões clássicos da bossa nova, João é um intérprete avesso à repetição. Ele está sempre em busca de um novo detalhe na maneira de dividir os ritmos, de uma nova forma de entoar os versos das canções. Para se perceber essas minúcias é preciso estar muito atento, abrir os ouvidos. E, mais que tudo, deixar os preconceitos de lado.

Próxima parada
Depois dos shows em São Paulo, João Gilberto segue para o Rio de Janeiro, para apresentação única em 24 de agosto. Os ingressos começam a ser vendidos nesta quinta-feira e custam até R$ 2.100 mil.

Em 5 de outubro, o inventor da bossa nova se apresenta em Salvador, Bahia. Para esta última aparição as vendas de ingressos se iniciam no dia 26 de agosto.

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