BRASÍLIA - Representantes da Via Campesina, articulação que reúne movimentos sociais, entre eles o dos trabalhadores rurais sem-terra (MST), entregaram nesta quinta-feira (12) ao chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, um documento com propostas ¿consideradas estruturantes para o desenvolvimento do campo¿. Desde ontem (11), a Via Campesina organiza manifestações em diversos estados em protesto contra o agronegócio e a atuação de empresas estrangeiras no País.


No documento, os movimentos sociais defendem a criação de uma estatal de fertilizantes e sugerem medidas de estímulo a programas de fomento a agroindústrias para produção de alimentos e agroenergia, reflorestamento e infra-estrutura em assentamentos.

Outra proposta é a ampliação do orçamento do Programa de Aquisição de Alimento (PAA) para R$ 1 bilhão por ano, a fim de garantir a compra dos produtos da agricultura familiar e da reforma agrária pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A humanidade vive hoje uma encruzilhada. Só temos uma saída para essa crise [de alimentos], que é a restruturação das comunidades camponesas, dos territórios camponeses e comunidades tradicionais, para que a gente possa, através dos recursos da agrobiodiversidade, da terra, da água, produzir alimentos para este país, argumentou a representante da direção nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MAP) e da coordenação da Via, Maria Costa.

O documento também lista medidas políticas e legislativas, entre elas a desapropriação de latifúndios para reforma agrária, a regularização imediata da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e a aplicação da tarifa social de energia elétrica.

Segundo Maria Costa, as atividades de mobilização da Via Campesina deverão continuar nos próximos dias. Como essa é uma jornada política, ela é permanente. As ações terão continuidade sim, porque não podemos dar trégua. Enfrentamos desafios diários e permanentes.

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