Após paralisação histórica, funcionários do Itamaraty voltam ao trabalho nesta quarta

BRASÍLIA - Após paralisar as atividades por 24 horas nesta terça-feira na primeira greve ocorrida no Itamaraty, oficiais e assistentes de chancelaria voltam ao trabalho nesta quarta-feira e ficam na espera de uma posição do Ministério das Relações Exteriores (MRE) em relação às negociações. De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Chancelaria (Conac), Alexey Van der Brooke, o Itamaraty sinalizou uma possibilidade de os servidores serem incluídos no diálogo com o Ministério do Planejamento. Na próxima semana, deve ser realizada uma nova assembléia, para decidir os rumos do movimento.

Redação com agências |


Agência Brasil
Funcionários do Itamaraty em greve histórica
Houve realmente um contato entre as duas instituições, mas, em todo o contato, uma das características é a nossa ausência e é isso o que nós queremos que pare. Nós queremos participação nas discussões, ninguém melhor do que eu para discutir os meus interesses, afirmou Van der Brooke.

É preciso que nós estejamos presentes para realmente negociarmos, acrescentou o presidente da Associação Nacional de Oficiais de Chancelaria, Antônio Carlos Toneto. De acordo com ele, existem problemas na comunicação das decisões referentes à carreira dos oficiais e assistentes. Não existe transparência, uma coisa é dita para a gente e outra coisa é feita no Planejamento, disse.

Outra reivindicação dos oficiais é o preenchimento das vagas em aberto na carreira, mediante a realização de concurso público. Nós temos nos multiplicado nos postos no exterior, assumindo diversos serviços, o que compromete a qualidade ", completou Van der Brooke.

Primeira greve da história

Na primeira greve da história do Itamaraty, eles paralisaram as atividades em, pelo menos, 80 postos de atendimento no exterior, prejudicando os serviços de emissão de passaportes, concessão de vistos, atendimento a brasileiros no exterior, entre outras ações.

Entre as principais cidades onde os postos de atendimento foram fechados, estão Nova York e Los Angeles (Estados Unidos), Tóquio (Japão), Madri (Espanha), Berlim (Alemanha), Roma (Itália) e Cidade do México (México).

Apesar da manifestação, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão informou que não iria receber os grevistas, pois já havia negociado a questão do aumento salarial diretamente com o Itamaraty.

Impasse

Na tarde desta terça-feira, o porta-voz do movimento grevista dos funcionários do Itamaraty, Paulo Edson Albuquerque, desmentiu a informação dada pela assessoria de imprensa do Palácio do Itamaraty de que os ministros de Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Planejamento, Paulo Bernardo, teriam aceitado o aumento pedido pelos oficiais de chancelaria .

Segundo Paulo Albuquerque, nenhuma proposta concreta foi apresentada oficialmente para os diretores das duas associações de classe ¿ Associação Nacional dos Oficiais de Chancelaria (ASOF) e o Conselho Nacional dos Assistentes de Chancelaria (CONAC).

Eles não foram ouvidos, nem nenhuma proposta oficial negociada. Não estamos sabendo de nada disse, falou o porta-voz dos oficiais e assistentes de chancelaria em greve, ao ser perguntado sobre a suposta negociação envolvendo os dois ministérios. 

Segundo Paulo Albuquerque, as associações estão insatisfeitas com o rumo do movimento, que quer para si a autonomia da negociação. Não queremos diplomata negociando salário de oficial. Queremos oficiais e assistentes negociando seus próprios salários, ressaltou.

O caso

Os servidores do Itamaraty querem reduzir a diferença salarial entre as três carreiras do Ministério de Relações Exteriores: diplomacia, oficial de chancelaria (ambos de nível superior) e assistente de chancelaria (nível médio).

Atualmente, um diplomata em início de carreira recebe R$ 8.700; um oficial de chancelaria, R$ R$4.629; e assistente de chancelaria, R$ 1.549. 

Em meados de maio, as duas associações de classe apresentaram uma proposta de aumento salarial ao Departamento de Serviço Exterior, do ministério, pleiteando a equiparação dos oficiais com os diplomatas.

Segundo o porta-voz do movimento grevista, a proposta não foi aceita, mas uma contra argumentação foi apresentada pelo diretor do departamento, ministro de primeira-classe, Denis Fontes Pinto. A nova proposta, que teria sido aceita pelo movimento, equipararia os salários dos oficiais no topo de carreira com os salários dos segundos-secretários. 

No entanto, em junho, o grupo foi avisado de que a contra-proposta da diretoria do Itamaraty não teria passado de uma simulação e que o Ministério do Planejamento não permitiria tal reajuste, no máximo um aumento de 19% para as três classes (incluindo no aumento o salário dos diplomatas).

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