Após ordem judicial e destruição, sem-terra deixam fazenda em São Paulo pacificamente

BOREBI - As cerca de 250 famílias do Movimento do Sem-terra (MST) que ocupavam a fazenda Santo Henrique, na zona rural de Borebi, no interior do Estado de São Paulo, deixaram o local, por volta das 10h30 desta quarta-feira, após negociar com a Polícia Militar.

Redação |


Segundo assessores do movimento, cerca de 80 homens da Polícia Militar chegaram ao local por volta das 7h e mostraram um documento de reintegração de posse. As famílias negociaram com a polícia e pediram o prazo de algumas horas para que pudessem se organizar e arrumar seus pertences.

Os manifestantes deixaram a fazenda em cinco caminhões e diversos carros. Conforme a coordenadoria estadual do MST, eles ficarão acampados em outra fazenda no município de Iaras.

Futura Press
Integrantes do MST acampados na terça-feira 

A ocupação

A fazenda Santo Henrique pertence ao grupo Cutrale e abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi. O MST invadiou o local no dia 28 de setembro e, segundo a polícia, tomaram a casa-sede, escritórios e instalações e expulsaram cinco famílias de colonos.

Além disso, teriam usado um trator da empresa para destruir 7 mil pés de laranja, onde alegam que plantariam feijão no lugar.

O MST afirma que a fazenda possui 2,7 mil hectares utilizados ilegalmente para a monocultura de laranja. Segundo o grupo, a área da fazenda faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União.

Els dizem que a área de 10 mil hectares de terras públicas foram reconhecidas oficialmente como devolutas e afirmavam que a ação tinha como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, utilizadas de forma irregular.

Os polícias miliatres foram enviados ao local após a Cutrale conseguir na Justiça de Lençóis Paulista uma liminar de reintegração de posse para desocupação em 24 horas, sob pena de despejo forçado e pagamento de multa diária de R$ 500 por invasor. Advogados dos sem-terra chegaram a pedir a transferência da ação à Justiça Federal, mas o juiz Mário Ramos dos Santos manteve o despejo.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) alega que a área faz parte do núcleo Monção, adquirido por sentença judicial de 1909 pela União e, posteriormente, grilada por terceiros. Em 2006, o Incra entrou com ação reivindicatória, mas o processo ainda não teve decisão final.

Já a Cutrale garante que tem a posse legítima das terras e que a fazenda é produtiva, gerando cerca de 300 empregos com carteira registrada.

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