Após onda de protestos, Polícia Militar descarta ocupação em Heliópolis

SÃO PAULO - A Polícia Militar (PM) afirmou, nesta quarta-feira, que não pretende ocupar Heliópolis, na zona sul de São Paulo, que foi palco de protestos na terça-feira. De acordo com informações da corporação, o patrulhamento segue normal na área.

Redação com Agência Estado |

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Corpo de estudante Ana Cristina é enterrado nesta quarta-feira

Corpo de estudante Ana Cristina é enterrado nesta quarta-feira

Segundo o capitão Maurício de Araújo, do Comando de Policiamento de Área Metropolitano 2, o objetivo não é ocupar o local, e sim "chegar próximo à comunidade que serve". "Tanto é que na região do Heliópolis os índices criminais têm caído mês a mês. Nós temos uma redução de homicídio, por exemplo, de praticamente 50% do começo do ano para cá. Nós temos muitos índices criminais reduzidos em razão dessas ações que a Polícia Militar vem tomando", afirmou.

Cestas básicas

Nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, a polícia informou que os cerca de 600 manifestantes que participaram do protesto contra a morte da estudante Ana Cristina de Macedo, de 17 anos, foram convidados a participar do ato por meio de um panfleto que prometia uma cesta básica a quem se juntasse ao grupo.

A corporação ainda não tem pistas da autoria dos bilhetes, que foram manuscritos, copiados e distribuídos à população. "Isso deve ser investigado pela Polícia Civil", explicou o capitão, designado pela PM para falar sobre o caso.

Questionado se os panfletos teriam sido distribuídos por traficantes em ações corriqueiras de assistencialismo, ele respondeu que a criminalidade costuma fazer tentativas de angariar a simpatia da população, porém, ele não afirmou que a iniciativa atitude esteja realmente ligada ao tráfico.

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Policiais durante protesto em Heliópolis

Policiais durante protesto em Heliópolis

Onda de protestos

A onda de manifestações começou depois que a estudante Ana Cristina foi morta, na noite de segunda-feira, com um tiro na cabeça durante um perseguição de Guardas Civis Municipais de São Caetano do Sul a dois suspeitos de roubar um carro.

O protesto, seguido de confronto entre policiais militares e a população, durou até as 22h e deixou um saldo de pelo menos 21 suspeitos detidos e um policial ferido, com traumatismo craniano, segundo o capitão Maurício de Araújo, da Polícia Militar. O policial permanece internado no pronto-socorro de Heliópolis.

Os manifestantes danificaram duas viaturas da PM e duas dos bombeiros e incendiaram três ônibus e dois micro-ônibus. Os policiais apreenderam ainda um coquetel molotov.

Na madrugada de terça-feira, outro protesto já havia sido realizado. Moradores montaram uma barricada de pneus e pedaços de madeira incendiados, a fim de obstruir a rua. Agentes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e do Grupo de Operações Especiais (GOE), auxiliados pela Polícia Militar (PM), tiveram de usar bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar os manifestantes.

Investigação

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Moradores de Heliópolis
no velório de Ana Cristina

Na terça-feira, a Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito para descobrir as causas da morte da estudante. A polícia afirma que, durante patrulhamento no bairro da Vila São José, dois policiais viram um Ford Ka vermelho seguindo na contramão. Como o veículo teria parado após ligarem o giroflex, uma perseguição teve início. Um dos policiais teria atirado na roda do carro, que perdeu o controle e bateu em outro veículo, antes de parar, próximo à Igreja Santa Edwiges.

A versão policial relata ainda que o suposto ladrão correu para dentro da favela de Heliópolis, enquanto sua companheira permaneceu no carro e foi detida sem resistir. Durante a troca de tiros com o homem que saiu do veículo, Ana Cristina foi baleada.

Para os moradores do bairro, o tiro foi disparado por um dos guardas municipais de São Caetano. Segundo o boletim de ocorrência registrado no 95º Distrito Policial de São Paulo, a vítima morreu no pronto-socorro do Hospital Heliópolis.

Veja imagens do protesto

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