Após oito anos, família de ex-promotor Igor ainda contesta possíveis provas do crime

SÃO PAULO - Após oito anos da condenação do ex-promotor Igor Ferreira da Silva, de 44 anos, ocorrida em abril de 2001, pela morte da esposa, a família dele ainda constesta as supostas provas do crime. O pai e também advogado de Igor, Henrique Ferreira da Silva Filho, alega que há graves irregularidades no exame de DNA que comprovou que Igor não era o pai do filho que Patrícia Aggio Longo, na época com 27 anos, esperava.

Redação |

Silva Filho afirma que o exame de DNA, considerado oficial pelo Ministério Público e que foi assinado pelo perito Mário Hiroyuki Hirata, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), está errado. Temos certeza que ele era o pai da criança, diz.

AE
Igor Ferreira é visto em delegacia, após ser preso

Igor Ferreira é visto em delegacia, após ser preso

Na época, a família de Igor contratou o médico e perito judicial Luiz Fernando Jobim, doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para realizar outros testes. Eles teriam comprovado que o laudo de Hirata não possuia "valor científico". Três laudos feitos pelo Dr. Jobim mostram que o exame de Hirata estava errado, mas o Tribunal de Justiça se recusa a fazer outro lado. Do que eles têm medo?", questiona Filho.

Segundo ele, a comprovação de que o bebê esperado por Patrícia, grávida de sete meses, era de seu filho mudaria todo o processo, já que a possível infidelidade foi o principal motivo considerado pelo Ministerio Público como motivador do assassinato. Eles haviam acabado de se casar, estavam com dois meses juntos, ainda em clima de lua de mel. Não houve isso, considera.

Patrícia foi morta com dois tiros em 4 de junho de 1998, na porta de um condomínio em Atibaia, no interior de São Paulo. Ela chegou a ser levada à Santa Casa de Atibaia, mas não resitiu. O bebê também já chegou morto.

A versão de Igor é de que voltava para a casa pela rodovia Fernão Dias quando foi surpreendido por um ladrão, que levou sua mulher como refém e depois a matou. No entanto, as investigações da polícia apontaram como sendo o ex-promotor o culpado pelo crime.

Silva Filho, pai de Igor, reitera a versão de que seu filho é inocente e reclama da impossibilidade de apelar contra a sentença. Todo preso tem direito a recorrer em três instâncias - Tribunal de Justiça, Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Trinunal Federal (STF) ¿ mas como ele já foi julgado em segunda instância não há como apelar, afirma.

De acordo com ele, o único recurso que seria possível é o pedido de revisão criminal, por um fato novo no processo, mas afirma que ainda não sabe se ele será utilizado. Preciso ver com o Igor se é isso que ele quer, disse. 

Prisão

Igor da Silva foi preso na tarde de segunda-feira quando estava em um comércio na Vila Carrão, zona leste da capital. Após uma denúncia anônima, a polícia chegou até o ex-promotor, que não resistiu à prisão.

Conforme seu pai, ele não se entregou antes porque estava bastante abalado psicologicamente. Igor está no 40º DP de São Paulo, onde são levados os presos com curso superior, e aguarda para ser transferido para Tremembé, no interior do Estado.

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