Após nove dias, pai e madrasta de Isabella Nardoni deixam prisão em São Paulo

SÃO PAULO - O casal Alexandre Nardoni, de 29 anos, e Anna Carolina Jatobá, 24 - pai e madrasta de Isabella Nardoni que foi encontrada morta no dia 29 de março no prédio em que o casal mora -, teve a liberdade concedida, nesta sexta-feira, pelo desembargador Caio Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justica de São Paulo (TJ-SP). Os dois estavam presos desde a última quinta-feira, dia 3, por suspeita de envolvimento na morte de Isabella.

Redação |

  • P risão não pode se basear em "suspeitas", diz juiz
  • Assista abaixo ao momento em que Anna Carolina deixa a prisão:

    Alexandre deixou o 77º Distrito Policial (DP), localizado na região central de São Paulo, por volta das 14h30, sob protestos da população que estava no local e muita confusão. Uma hora depois, às 15h30, Anna Carolina deixava o 89º DP, na região sul da cidade. Os dois passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e seguiram para destino desconhecido.

    O advogado Marco Polo Levorin, que defende o casal, disse apenas que os dois foram levados para um "local seguro". "O casal vai para um lugar seguro, mas acreditamos que eles não correm nenhum risco", disse Levorin.

    Segundo informações da polícia, Anna Carolina soube da decisão da Justiça pela televisão ainda quando estava na cela. Ela teria chorado muito.

    Assista abaixo ao momento em que Alexandre deixa a prisão:

    Também sob protestos e muita confusão, Alexandre Nardoni, de 29 anos, pai de Isabella e que estava detido no 77º Distrito Policial (DP), localizado no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo, foi solto por volta das 14h35 ( leia mais aqui ). 

    O pedido de habeas-corpus foi feito pelos advogados do casal e protocolado junto ao Tribunal de Justiça (TJ) na segunda-feira, dia 7, sob os argumentos de que ambos não ofereceriam risco às investigações. Esse argumento foi rebatido pelo promotor Francisco José Taddei Cembranelli, que acompanha o caso. Segundo ele, o contato direto do casal com testemunhas importantes do caso poderia interferir no inquérito.

    Em entrevista coletiva, o advogado Ricardo Martins, que também defende o casal, disse que "foi uma decisão bastante justa. Não havia provas e os elementos que justificam a prisão temporária não estavam presentes. Houve uma precipitação, sem dúvida nenhuma, principalmente por parte da polícia". "Agora se começou a fazer justiça", completou.

    Para TJ, pai e madrasta não atrapalham investigação

    O desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, argumentou em sua decisão que Nardoni e Anna Carolina não deram nenhuma prova de que possam comprometer, dificultar ou impedir a apuração das investigações, no despacho em que deferiu o pedido de habeas-corpus do casal. ( Veja a íntegra do habeas-corpus )

    Em sua decisão, o desembargador aponta ainda que o fato de Alexandre e Anna Jatobá terem se apresentado espontaneamente pesou em favor da decisão.

    No despacho, Almeida aponta que a prisão temporária é uma medida excepcional, "tolerada apenas nas hipóteses precisamente fixadas em lei, imperiosa à apuração da autoria do fato criminoso e à produção de provas que se tornariam inviáveis com os investigados em liberdade".

    O caso

    AE
    Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

    No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

    O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

    O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

    (*com reportagem de Gregório Ferreira, Ana Freitas, Silvia Melo, Juliana Simon, Lecticia Maggi e Carol Garcia)

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