Os policiais militares pernambucanos devem começar a receber na próxima semana um manual de procedimento-padrão - incluindo forma de abordagem e uso de arma de fogo - e ser treinados no Grande Recife e no interior de Pernambuco. As ações foram antecipadas diante da morte da menina Maria Eduarda Ramos de Barros, de 9 anos, na sexta-feira, no bairro Cidade Universitária, na capital pernambucana.

O corpo de Maria Eduarda foi enterrado no sábado, em Carpina, na região metropolitana, onde morava, em clima de comoção e revolta.

Ela estava num carro, ocupado por dois adultos e cinco crianças, todos da mesma família, quando ocorreu um assalto. Segundo a família, eles já haviam sido assaltados, quando a polícia chegou e disparou contra o automóvel, que foi alvejado por nove tiros. Os policiais afirmam ter havido troca de tiros com os assaltantes. Outros dois menores e um adulto também foram atingidos pelos disparos - a irmã de Maria Eduarda, por um tiro no rosto, e os outros, acertados de raspão -, mas passam bem. "Metralharam o carro com cinco crianças indefesas", acusou, inconformado, o pai da menina, Francisco Albuquerque, de 64 anos.

O chefe do Estado-Maior da PMPE, coronel Daniel Ferreira, reconheceu haver falha no treinamento de policiais em algumas regiões do Estado. Ferreira lembrou, porém, que os policiais envolvidos no incidente integram a Companhia Independente de Policiamento com Motos (CIPMOTos) e recebem constante treinamento, assim como todos os homens dos batalhões especializados.

O treino nos 10 batalhões de área do Grande Recife ficará a cargo de equipes da Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe). No interior, os exercícios serão coordenados pela Companhia Independente de Operações e Sobrevivência em Área de Caatinga (Ciosac). Um dos assaltantes, um adolescente de 14 anos, detido logo após o assalto, fez exame residuográfico que comprovou que ele não disparou arma de fogo. Uma moça de 18 anos, que também participou do roubo, tinha vestígios de pólvora nas mãos. Há ainda um outro foragido. Foram abertos dois inquéritos criminais - pela Diretoria de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) e Delegacia de Homicídios -, além de uma sindicância administrativa pela PM.

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