Após mais uma denúncia, Sarney cria nova comissão de sindicância

BRASÍLIA (Reuters) - Depois da divulgação de que os chamados atos secretos do Senado não configuravam um erro técnico, mas um expediente para esconder eventuais irregularidades, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiu criar uma nova comissão de sindicância para apurar a denúncia. Essa comissão será acompanhada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União.

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Ao contrário do que era esperado --o de afastar possíveis responsáveis pela prática--, Sarney anunciou apenas a disposição de publicar todas as informações do Senado em um site oficial.

Anunciou ainda a contratação de uma auditoria externa sobre a folha de pagamentos dos servidores da Casa, que deve ser coordenada, segundo o senador, pela Fundação Getúlio Vargas. O objetivo é reduzir gastos.

"Vamos punir (os responsáveis)", disse Sarney em entrevista coletiva, quando ressaltou que não haverá julgamento político.

Há anos o Senado é apontado como a instituição pública mais fechada à imprensa e esse é o mais novo escândalo que macula a imagem da Casa. Não é também a primeira vez que parlamentares prometeram abrir a caixa preta do Senado.

Em maio, havia sido criada uma comissão de sindicância sobre os atos secretos, que entregará o relatório na próxima segunda-feira. Esse expediente foi utilizado para criar cargos, aumentar salários, exonerar parentes de senadores sem que fosse tornado público no momento de sua edição.

Nesta sexta-feira, o jornal Folha de S. Paulo publicou entrevista com Franklin Albuquerque Paes Landim, funcionário responsável pela publicação dos atos do Senado. Ele revelou ao jornal que os então diretores da Casa Agaciel Maria e João Carlos Zoghbi ordenavam que alguns atos não fossem publicados.

Tanto Agaciel como Zoghbi já afirmaram que se tratava de erro técnico.

Desde fevereiro, quando Sarney assumiu o Senado, uma série de denúncias tem se abatido sobre a Casa.

(Reportagem de Natuza Nery)

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