Após mais de três meses, Sean Goldman fala com avó materna

Família brasileira reclama do pouco contato com criança que teve a guarda entregue ao pai norte-americano há seis meses

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Há exatos seis meses, no dia 24 de dezembro, Sean Goldman foi entregue ao pai norte-americano David Goldman, após uma disputa pela guarda do menino com Silvana Bianchi, a avó, e João Paulo Lins e Silva, o viúvo da mãe de Sean, Bruna Bianchi – que morreu na mesa de parto no nascimento da filha. De lá para cá, segundo a avó, a família brasileira só conseguiu falar com Sean seis vezes.

As últimas foram nos dias 11 e 22 de junho. Nas duas vezes foi Sean quem ligou para a avó. Antes disso, ele havia ligado no dia 2 de março. A ligação do dia 11 foi a primeira em 101 dias. O padrasto, contudo, ainda não conversou com o menino, desde que ele saiu do Brasil.

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João Paulo Lins e Silva
O primeiro telefonema neste mês durou cerca de cinco minutos e o segundo quase 16 minutos. Segundo contou João Paulo, ambas as ligações foram feitas a partir de um telefone nos Estados Unidos que não eram o da casa de David Goldman. Silvana Bianchi afirma que o celular do David está sempre em secretária eletrônica e o número da casa deles foi trocado assim que Sean foi para lá.

“Nossos advogados aqui no Rio estão com um pedido na Justiça para que haja pelo menos uma ligação semanal. Espero que Sean mantenha contato com a irmã dele e com a família brasileira”, disse o padrasto.

A avó contou como foi a última conversa. “Ele falava em inglês e eu em português. Era um papo pouco espontâneo, mais uma coisa de eu perguntando e ele respondendo. Eu queria saber como ele estava, se estava de férias, o que anda fazendo, se está indo ao cinema, qual era a programação dele... E ele me respondia. Falei da irmãzinha (de 1 ano e 10 meses), que ela está gordinha, falando muito.... E disse a ele que quero ir o mais rápido possível lá para dar seu beijo do aniversário. Ele escutava calado”, relatou a avó do menino.

O pouco que o menino falou, segundo a avó, foi a respeito das atividades que tem exercido. “Diz que vai ao cinema, tem pescado, ia entrar de férias... Não é uma coisa de emoção, é papo travado. Ele falou que tem amigos na escola, que tem ido à piscina, que iria para o camping, que equivale a nossa colônia de férias aqui”, disse ela.

Mensagens por email

Uma pessoa próxima à família Lins e Silva conta que Sean mantinha um email, criado enquanto esteve morando no Rio. Era através desse email que ele conseguia trocar algumas mensagens com o padrasto e a avó. “Ele dizia que amava todos aqui, que estava com saudades, mandava beijos... coisas de criança”, contou a pessoa que teve acesso às mensagens e pediu para não ser identificada. Na última ligação que Sean fez para a avó, ele teria dito que o pai descobriu a conta de email e trocou a senha.

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O americano David Goldman, pai de Sean
João Paulo Lins e Silva não falou com a criança. “Se eu tentar ligar ou se a avó dele falar no meu nome, desligam na cara”, justifica. Ele também reclama das consequências do clima belicoso criado entre a família brasileira, o pai norte-americano e a opinião pública nos dois países. Ele diz que costuma receber emails com insultos e xingamentos em inglês. “Criou-se, nos Estados Unidos, uma mobilização enorme em torno do caso. Qualquer coisa que eu fale, recebo em seguida recados agressivos me chamando de mentiroso”, contou.

Hoje, João Paulo já não tem tanta certeza se ainda espera reaver a guarda de Sean. “Quero que ele, independentemente de onde estiver, esteja sendo bem cuidado da melhor forma possível. Só quero o bem dele. Se ele estiver bem e feliz, não me incomodo”, disse.

Vida em Nova Jersey

Paulo Roberto Andrade, advogado de David no Brasil, contou à reportagem do iG que estas ligações feitas à família brasileira são exemplos da “boa conduta” por parte de seu cliente. “Isso só demonstra que jamais houve qualquer resistência por parte do David do contato do Sean com a família no Brasil. É um delírio achar que o David deixou o menino enclausurado. Ele deixou bem claro que não colocaria resistências a este contato.

O advogado contou ainda que esteve com David e Sean há um mês e meio, em Nova Jersey, onde pai e filho moram atualmente. “Sean vive com o pai numa boa casa. Ele está super bem, integrado à escola, aos amigos. Mora num bairro típico de cidadezinha americana, onde há casas sem portão, sem muro e grade, com quintal.Sem o conforto de uma família de alta classe brasileira, mas vivendo dignamente nos Estados Unidos”, afirmou.


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