Após invasão, Incra no MS pede reintegração de posse

A procuradoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Campo Grande, deu entrada na Justiça Federal com pedido de reintegração de posse, após a invasão de quase 400 sem-terra na sede do instituto. A ocupação aconteceu ontem, sob a alegação de que a reforma agrária não está dando certa em Mato Grosso do Sul.

Agência Estado |

"Estamos prontos para atravessar 2008 aqui", disse um dos líderes, identificado como Antônio Dias.

O superintendente da sede do Incra, Flodoaldo Alencar, está tentando negociar a desocupação do prédio, mas não encontra, entre os manifestantes, coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST), Central Única dos Trabalhadores Rurais, Federação dos Trabalhadores na Agricultura e Federação da Agricultura Familiar (Fetag).

A líder do MST, Maria de Fátima Vieira, que está em Brasília acompanhando as negociações com a diretoria do instituto, disse que o Incra-MS tem enfrentado "diversos problemas desde a troca do superintendente". "Em 2008, a reforma agrária estagnou e nem mesmo as conquistas obtidas em 2007 se concretizaram, acarretando diversos problemas nos assentamentos e acampamentos", afirmou.

Ela explicou que uma das marcas do novo administrador, que assumiu o cargo no passado, é não aplicar o dinheiro da reforma agrária que chega ao Estado. "Soube do próprio presidente do Incra, Rolf Hackbart, que os recursos estão retornando para Brasília. Um total de R$ 12 milhões destinados ao crédito de implantação de assentamentos, estão parados no Incra-MS. O Rolf, afirmou que esse dinheiro vai voltar para Brasília, além de R$ 6 milhões para infra-estrutura e R$ 2,5 milhões para assistência técnica", disse.

Flodoaldo explicou que os estornos de recursos acontecem "por uma questão de rubrica". Ele citou, como exemplo, o programa Territórios da Cidadania, dizendo que as verbas devolvidas até agora são as que foram destinadas a esse programa em realizações cuja demanda não gastou todo o recurso monetário. "Se o dinheiro vem para uma finalidade, não podemos aplicá-lo em outra, temos que devolver."

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