Após greve dos roteiristas, Hollywood teme agora paralisação de atores

LOS ANGELES ¿ Depois de se recuperar, em 2008, da longa greve dos roteiristas de cinema e de televisão, Hollywood enfrenta, com preocupação, uma possível paralisação dos atores, a partir do mês que vem.

AFP |

A greve dos roteiristas terminou no final de fevereiro, após 100 meses de estagnação da produção audiovisual americana, e os grevistas conseguiram dos estúdios uma parte dos lucros provenientes do trabalho nas novas mídias.

O acordo concluído entre o Sindicato dos Roteiristas (WGA) e a Aliança dos Produtores de Cinema e de Televisão (AMPTP) foi considerado um importante avanço pelos especialistas.

"Estabelecer o princípio que a WGA pode lucrar com a Internet e as novas mídias é um passo histórico", disse à AFP o professor da Universidade da Califórnia do Sul (USC) e especialista na indústria do cinema Jason Squire.

A paralisia do setor custou alguns bilhões de dólares, de acordo com economistas. A cerimônia do Globo de Ouro foi cancelada e substituída por uma coletiva de imprensa, enquanto que a festa do Oscar acabou sendo salva, graças a um acordo de último minuto.

No momento em que a economia americana se encontra em recessão, o setor audiovisual volta sua atenção para o SAG, o mais importante sindicato de atores de Hollywood, com mais de 120.000 membros.

O SAG e a AMPTP ainda não chegaram a um acordo sobre a renovação de seu contrato trienal, expirado no final de junho. As negociações estão bloqueadas e as duas partes, envolvidas em uma guerra de palavras.

Enquanto o diálogo não prospera, o SAG já anunciou que consultará seus membros, por votação, a partir de 2 de janeiro, sobre uma autorização de greve. A base do sindicato está dividida sobre o que fazer, diante do estado alarmante da economia.

"Não podemos ignorar o que acontece do ponto de vista econômico", disse ao jornal "Los Angeles Times" o ator David Duchovny, estrela do "Arquivo X" e da série "Californication".

"Todo o mundo quer continuar a trabalhar, mesmo que haja pouco trabalho", acrescentou Duchovny, uma das celebridades que participaram dos piquetes de greve da WGA no início de 2008.

Mesmo em um contexto de tensão social e de depressão econômica, as receitas das bilheterias continuaram boas em 2008, graças, em grande parte, às histórias de super-heróis e à volta de Indiana Jones.

"Batman - O cavaleiro das trevas" bateu o recorde em três dias de exibição, com 158,4 milhões de dólares, e se tornou o segundo filme de melhor bilheteria da história do cinema norte-americano, com 530 milhões de dólares.

"Homem de ferro", outra adaptação de HQs com Robert Downey Jr. no papel principal, surpreendeu ao arrecadar 318 milhões de dólares, superando o grande favorito do verão (hemisfério norte), "Indiana Jones e o reino da caveira de cristal" (317 milhões de dólares).

No início de dezembro, o valor arrecadado pelas bilheterias norte-americanas era 1,4% superior ao ano anterior, mas ainda não é garantido que consiga ultrapassar, no final do mês, a receita recorde estabelecida em 2007, de 9,66 bilhões de dólares.

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