RIO DE JANEIRO - A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec) do Rio iniciará a revisão de todas as mortes provocadas pela atual epidemia da dengue. Os técnicos analisarão o motivo do alto índice de mortes pela enfermidade e por que têm sido menos comuns os registros de óbitos pela forma mais grave - a dengue hemorrágica. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/04/22/rio_de_janeiro_tem_recorde_de_mortes_por_dengue_com_92_mortes_1282135.html target=_topEntre janeiro e ontem, 92 pacientes morreram da doença infecciosa no Estado e outros 96 casos aguardam confirmação. Na pior epidemia registrada até então, a de 2002, houve 91 falecimentos.


O que motivou a investigação é o fato de as estatísticas de morte por dengue divulgadas pelo governo do Rio de Janeiro mostrarem uma mudança no padrão dos óbitos.

Entre 1990 e 2004, só há registros de morte por dengue com hemorragia - nenhum caso de falecimento pela chamada síndrome do choque da dengue (queda brusca de pressão, pulso imperceptível) ou pelas complicações. Nesse período, 150 pessoas morreram da doença no Estado.

Em 2005, houve o primeiro registro de morte por dengue não hemorrágica. Em 2007, foram notificadas 22 mortes pela forma hemorrágica e 15 pela síndrome do choque ou por complicações, como as hepáticas, provocadas por excesso de remédios, ou por agravamento de doenças preexistentes.

Este ano, foram 92 mortes - somente 32 por dengue hemorrágica. Houve 17 registros de morte por choque e 43 por complicações. "Esses óbitos serão investigados para saber se houve alguma mutação do vírus, se está havendo uma agressividade maior", afirmou o superintendente de Vigilância em Saúde da Sesdec, Victor Berbara.

Berbara ressaltou, no entanto, que hoje se tem mais conhecimento a respeito da dengue, o que pode ter mudado os dados. "A avaliação dos casos mudou. Antes, acreditava-se que todas as mortes eram por dengue hemorrágica e hoje é possível diferenciar os casos. O conhecimento avançou", afirmou.

Ele lembrou ainda que, depois de sucessivas epidemias, a doença torna-se mais agressiva nos pacientes contaminados mais de uma vez.

Leia também:

Leia mais sobre: dengue

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.