SÃO PAULO (Reuters) - No dia seguinte à despedida do cargo de governador do Estado de São Paulo, José Serra, pré-candidato à sucessão presidencial pelo PSDB, afirmou que inicia agora uma nova fase em sua carreira política. Está na hora de começar uma outra etapa. Esta está se encerrando, disse Serra a jornalistas nesta quinta-feira.

Em um de seus últimos compromissos à frente da administração paulista, Serra assinou a ampliação do limite de endividamento do Estado em 3,3 bilhões de reais.

O aumento foi autorizado pelo governo federal e eleva para 14,9 bilhões de reais o limite de empréstimos do governo paulista.

Na cerimônia, Serra telefonou para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pela agradecer a cooperação com São Paulo e descreveu a relação entre as partes como "republicana".

"A nossa relação com o Ministério da Fazenda ao longo do nosso governo foi sempre muito positiva, correta... Sem qualquer espécie de interferência política", disse.

As novas linhas de crédito serão destinadas à obras de expansão do Metrô e do Rodoanel, que somam 8,14 bilhões de reais.

Serra, que enviará sua carta de renúncia à Assembleia Legislativa na sexta-feira, disse já ter começado a organizar a mudança, o que inclui arrumar a grande quantidade de documentos que acumulou desde que assumiu o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, em janeiro de 2007.

"Todo dia já é diferente, mas hoje foi diferente, evidente", disse ele.

Na quarta-feira, diante de milhares de servidores, correligionários e políticos de seu partido e de siglas aliadas, Serra anunciou a saída do governo para concorrer à Presidência da República.

Ele fez um balanço da gestão e cunhou o slogan "o Brasil pode mais". Criticou a roubalheira e disse que os governos têm que ter caráter.

Adiantou nesta quinta que vai viajar pelo país, mas antes tentará passar por um período de descanso. Sobre o lançamento oficial de sua candidatura à Presidência, marcado para o dia 10 em Brasília, afirmou que será apenas "uma reunião de nossa aliança."

O vice Alberto Goldman, ex-deputado federal pelo PSDB, assumirá o governo paulista até o final da gestão, em dezembro.

(Reportagem de Hugo Bachega)

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