Após depoimento, Daniel Dantas aguarda possível acareação

SÃO PAULO - Após prestar depoimento, na tarde desta quinta-feira, Daniel Dantas teve que permanecer no prédio da Justiça Federal, em São Paulo, por ordem do juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal. O juiz anunciou uma possível acareação entre o banqueiro do Grupo Opportunity, Humberto Braz e Hugo Chicaroni, também envolvidos na operaçao Satiagraha, da Polícia Federal. Sanctis pretende levantar possíveis pontos divergentes nos depoimentos dos três.

Samanta Dias, repórter do Último Segundo |

O depoimento de Chicaroni começou por volta das 15h10 e terminou cerca de 18h30, de acordo com a Justiça Federal. Neste momento, o juiz ouve Humberto Braz.

O interrogatório de Dantas teve início às 14h e terminou cerca de uma hora depois. Apenas seus advogados, Nélio Machado e Renato Moraes, conversaram com a imprensa, na chegada de Dantas ao edifício, por volta das 13h, e disseram que seu cliente foi orientado a permanecer em silêncio.

Os advogados justificaram sua orientação a Dantas argumentando que seu cliente não fala enquanto o processo não atingir a legalidade mínima. Eles reclamam não ter tido acesso aos autos completos do processo e que isso causa grande prejuízo à defesa.

Machado definiu o processo como viciado, já que não apresentaria todos os fatos apurados. Já vi na imprensa trechos do diálogo [de Dantas e Braz] que, como advogado, não tive acesso, disse. Ele afirmou, ainda, que o CD, com diálogos capturados em escutas telefônicas e dos registros, recebido pela defesa está em baixa qualidade e irá solicitar a transcrição do material. Do CD, o advogado confirmou que uma das vozes do diálogo é de Humberto Braz.

Na quarta-feira, Machado afirmou que Dantas poderia queria "desabafar um pouco", mas, hoje, disse que a expressão se refere "às injustiças que estão sendo cometidas contra o Daniel".

Dantas é investigado na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, evasão de divisas e sonegação fiscal.

Também está previsto para esta quinta o depoimento de Hugo Chicaroni, acusado de ter tentado subornar um delegado federal para retirar o nome de Dantas da investigação da Operação Satiagraha.

Outro interrogatório

O interrogatório de Humberto José da Rocha Braz ao juiz Fausto Martin de Sanctis, na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, nesta quarta-feira, foi muito curto e não durou mais do que meia hora. De acordo com o procurador da República Rodrigo De Grandis, que também estava presente ao interrogatório, Braz "não falou nada durante o depoimento" e exerceu o direito de permanecer em silêncio durante o interrogatório.

Segundo as investigações, Braz é acusado pela Operação Satiagraha de tentativa de suborno de US$ 1 milhão a um delegado da Polícia Federal.  Braz é ex-presidente da Brasil Telecom e suposto "braço direito" de Daniel Dantas.

Antes mesmo do início do interrogatório, a defesa de Humberto Braz já havia informado que ele tinha sido orientado a não responder as perguntas.

Os advogados de defesa de Braz destacaram que a acusação está fundamentada num áudio de qualidade ruim da conversa gravada com a suposta tentativa de suborno ao delegado da PF. Os advogados de Braz querem a transcrição dessa conversa para orientar seu cliente no depoimento.

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