Após depoimento, Abadía e Beira-Mar retornam a presídio federal

CAMPO GRANDE - Os traficantes Juan Carlos Ramirez Abadía e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, retornaram à penitenciária federal de Campo Grande nesta terça-feira após prestarem depoimentos na Polícia Federal (PF), segundo a Diretoria do Sistema Penitenciário Federal. Eles e mais dois chefes do crime organizado são acusados pela PF de comandar extorsões de dentro do Presídio Federal de Campo Grande.

Redação |

José Luis da Conceição/AE
Abadía
Megatraficante Juan Carlos Abadía
Os quatro passarão a ser mantidos em regime especial de prisão. Até agora, só Abadía merecia tratamento diferenciado. Eles ficarão em cela especial, terão apenas duas visitas semanais de parentes ou advogados, mas sempre acompanhados por servidores. "E nos banhos de sol não poderão ficar ao lado de detentos de fora do regime diferenciado", adianta o juiz-corregedor Odilon de Oliveira. 

A Operação X da Polícia Federal desmantelou, na segunda-feira, uma quadrilha formada por detentos do presídio e visitantes da cadeia ( saiba mais ). O grupo teria montado um esquema para a prática de roubos e extorsão mediante seqüestro.

De acordo com a PF, de dentro do presídio Abadía e Beira-Mar instruíam visitas a cometerem os crimes. A organização criminosa estava sendo investigada desde abril deste ano.

O juiz-corregedor ressalta que Fernandinho Beira-Mar sempre comandou crimes, incluindo seqüestros, de dentro de presídios. "São as visitas que recebe. Esse é o meio de contato dele com as quadrilhas que comanda no Brasil e no Paraguai".

O advogado de Abadía e Beira-Mar, Luiz Gustavo Bataglin Maciel, negou que os dois tenham qualquer contato. "Eles não se conhecem", disse.

A participação de Abadía na Operação X deve ampliar no governo as pressões para que ele seja extraditado para os Estados Unidos, onde responde por lavagem de dinheiro, tráfico e homicídio. Mas isso não deve acontecer logo.

No dia 13 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a medida. A decisão foi unânime, mas o Supremo impôs uma condição ao governo americano: uma possível condenação por prisão perpétua ou pena de morte deve ser convertida em simples prisão com prazo máximo de 30 anos, maior punição prevista na legislação brasileira. Os Estados Unidos, porém, ainda não fizeram nenhum sinal de que aceitarão.

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