Após denúncias, Sarney aceita pedido de afastamento do diretor-geral do Senado

BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aceitou o pedido de afastamento definitivo do diretor-geral da Casa, Agaciel da Silva Maia, acusado de ter omitido da Receita Federal um imóvel no valor de R$ 5 milhões, no bairro Lago Sul, em Brasília.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Lamento que esse episódio tenha chegado onde chegou. Ele é um dos funcionários mais antigos da Casa, mas reconheço que, para a imagem do Senado, é melhor, disse Sarney.

Agaciel, ao sair do cargo, disse que não pretende ser motivo para uma desagregação na Casa. Sempre me deram uma importância que não tenho. Se alguém tiver de ser dado em sacrifício para que isso acalme os ânimos, estou disposto a ir a esse sacrifício, disse, fazendo referência ao Orçamento do Senado, que fica sob sua responsabilidade. Do total do Orçamento, 85% são para pagamento de pessoal. Para pagamento de servidor aposentado da época que o Senado ainda era no Rio de Janeiro, defendeu-se.

A decisão de afastar Agaciel Maia de seu cargo foi tomada na noite de segunda-feira em uma conversa entre ele e Sarney. No encontro, teria sido constatado que a pressão dos partidos de oposição no Senado foi intensificada e as denúncias contra Agaciel Maia continuariam em evidência.

Maia é servidor efetivo do Senado e, por isto, ele sairá do cargo de diretor-geral, mas não deixará de trabalhar no parlamento. Ainda não foi decidido em qual setor ele será realocado. Quem assume o cargo interinamente é o vice-diretor Alexandre Gazzineo.

Agência Brasil
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Agaciel Maia afastou-se do cargo de diretor-geral do Senado

Entenda o caso

Uma reportagem da "Folha de S.Paulo" do último fim de semana levou a público que Agaciel Maia teria adquirido uma mansão avaliada em R$ 5 milhões, em Brasília, em 1996, mas teria deixado o imóvel no nome do irmão, o deputado João Maia (PR-RN), sem declará-lo à Justiça.

Na reportagem, Maia teria se justificado alegando que seus bens estavam bloqueados na época e, por isto, a compra teria sido feita em nome de João.

Na segunda-feira, porém, Maia voltou atrás e negou que estivesse com os bens bloqueados na época. De acordo com ele, o imóvel estaria, inclusive, declarado no Imposto de Renda.

Ainda na segunda-feira, o presidente do Senado, José Sarney, pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU), que investigasse as contas de Agaciel Maia. Mas, ainda assim, ao longo da tarde, alguns senadores defenderam o afastamento do diretor enquanto durassem as investigações.

Pressionado, Maia entregou uma carta de demissão à presidência do Senado na manhã desta terça-feira, a qual foi prontamente aceita. Agaciel Maia foi indicado para a diretoria-geral do Senado em 1995, durante a primeira gestão de José Sarney frente à presidência do paralamento.

(*com informações da "Agência Brasil" e da "Agência Estado")

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