Após bate-boca com ministro, Gilmar Mendes nega crise institucional

BRASÍLIA - Após trocar ofensas com o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, negou nesta quinta-feira que o episódio tenha causado uma crise institucional no tribunal.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Não há crise, não há arranhão, garantiu. A imagem do Supremo é a melhor possível, disse, após encontrar com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), no Congresso Nacional. O reunião entre os presidentes estava agendada para tratar do Pacto Republicano, assinado na última semana.

Assista ao trecho da sessão desta quarta-feira

Durante sessão plenária na tarde desta quarta-feira no STF, o ministro Gilmar Mendes criticou a posição de Joaquim Barbosa sobre um processo em discussão. Nervoso, Barbosa cobrou respeito do presidente, e disse que ele não poderia lhe dar lição de moral pois está destruindo a Justiça brasileira.

"Vossa Excelência me respeite. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste País e vem agora dar lição de moral em mim. Saia à rua, ministro Gilmar. Faça o que eu faço", afirmou Barbosa. Vossa Excelência não está na rua, está na mídia destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro, continuou, após Mendes ter respondido que estava, sim, nas ruas.

Ao fim do bate-boca, Joaquim Barbosa chegou a dizer que Gilmar Mendes não estava falando com seus capangas do Mato Grosso, e que por isso merecia respeito. Logo após a sessão foi encerrada.

Nota de apoio

Ao longo de três horas na noite desta quarta, oito ministros se reuniram no gabinete de Gilmar Mendes para debater sobre o caso. Eles divulgaram uma nota à imprensa reafirmando a confiança no presidente da Corte.

"Os ministros do Supremo Tribunal Federal que subscrevem esta nota, reunidos após a sessão plenária de 22 de abril de 2009, reafirmam a confiança e o respeito ao senhor ministro Gilmar Mendes na sua atuação institucional como presidente do Supremo, lamentando o episódio ocorrido nesta data, diz a nota, que não é assinada apenas por Joaquim Barbosa e Ellen Gracie, que não participou da sessão de nesta quarta.

Sessão ao vivo

Questionado se a transmissão ao vivo das sessões seria interrompida após o episódio, Gilmar Mendes disse que não comentaria o assunto, mas observou que alguns juízes propõem a revisão deste modelo. Mas este já é um modelo instituído, ponderou.

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