Após ações contra Sarney, oposição já vê batalha no plenário

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - A oposição concluiu nesta quarta-feira nova etapa de sua estratégia para pressionar a saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado, depois que os protestos em plenário realizados antes do recesso parlamentar não surtiram efeito.

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Ao protocolar cinco representações no Conselho de Ética da Casa, a oposição aumentou a mobilização para que o colegiado abra uma investigação por quebra de decoro parlamentar contra o peemedebista.

Como as relatorias para cada processo devem ser sorteadas, subiu também a probabilidade de algum adversário do presidente do Senado relatar pelo menos uma das ações, que podem causar a cassação do mandato de um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Legislativo.

Em paralelo, PSDB, DEM e PSOL se preparam para uma batalha no plenário da Casa, onde podem tentar, com a ajuda de alguns integrantes da base aliada contrários à permanência de Sarney no cargo, punir o senador. Os pareceres do Conselho de Ética precisam invariavelmente ser votados pelo plenário do Senado.

A oposição, entretanto, recuaria se Sarney se afastasse do cargo, saída por enquanto rechaçada pelo presidente do Senado e ex-presidente da República.

"Eles (governistas) têm maioria no Conselho de Ética... eu não gostaria, mas acho que será muito provável que isso vá para o plenário", disse à Reuters o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

Sarney enfrenta uma série de denúncias. É acusado de cometer irregularidades na administração do Senado, de empregar pessoas ligadas à sua família e desviar dinheiro público por meio de uma fundação que leva o seu nome. Os fatos, no entanto, serão inicialmente analisados por um grupo de senadores majoritariamente amigável ao parlamentar.

Com 10 integrantes contra cinco da oposição, a base aliada tem grande maioria no Conselho de Ética. O partido com o maior número de titulares é justamente a legenda de Sarney, o PMDB, que também preside o colegiado.

Segundo o regimento interno da instituição, os processos devem preferencialmente ser relatados por parlamentares que não sejam dos partidos representantes ou do senador acusado.

Se o processo for instaurado, o plenário do conselho pode decidir pelo afastamento do presidente do Senado caso haja indício de quebra de decoro parlamentar ou risco de dano à imagem do Senado.

Nesta quarta-feira, o PSOL protocolou sua segunda representação por quebra de decoro parlamentar contra Sarney. O PSDB ingressou na véspera com outras três ações. Já a bancada do DEM se reunirá na terça-feira para avaliar se também apresenta um processo.

"Esperamos que pelo menos uma das representações possa ser relatada pela oposição", disse um senador diretamente envolvido no esforço pelo afastamento de Sarney.

Cientes do recrudescimento da situação de Sarney, aliados do presidente do Senado passaram a ameaçar retaliar o PSDB e demais adversários do peemedebista.

"Quando você mete cinco representações, se o Conselho de Ética arquivar, será um desastre. Você vai dar discurso para a oposição", disse o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), integrante do colegiado e aliado de Sarney.

"Esse conselho vai ter uma responsabilidade muito grande, porque pode acabar com a carreira de grandes políticos. Tem uma lista de réus confessos que podem ir para o conselho", alertou.

Pelo trâmite, o primeiro passo cabe ao presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), que tem cinco dias úteis para acatar ou não as representações, o que deve ser realizado após o recesso, na semana que vem.

Seguem de forma paralela quatro denúncias protocoladas pelo líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). Por ser uma atitude individual, essas ações têm menos probabilidade de progredir.

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