SÃO PAULO - Os oito anos que o ex-promotor Igor Ferreira da Silva, de 44 anos, passou foragido da Justiça fizeram com que a pena pelo crime de aborto, que pesava contra ele, fosse prescrita. Porém, além deste crime, Igor também foi condenado a 14 anos do homicídio e outros quatro anos por porte ilegal de arma. Ao todo, sua a pena totaliza 18 anos.


Após cumprir um sexto da pena (cerca de três anos), poderá pedir progressão para regime semi-aberto. As informações foram passadas nesta terça-feira pela procuradora de Justiça Valderez Deusdedit Abbud.

AE
Igor Ferreira é visto em delegacia, após ser preso

Igor Ferreira é visto em delegacia, após ser preso nesta segunda-feira

Em 2001, Igor foi condenado a 16 anos de prisão pela morte da sua esposa, Patrícia Aggio Longo, em junho de 1998. Patrícia estava grávida de sete meses. Por isso, na época, ele também foi condenado por aborto não-consentido, já que o bebê morreu.

Durante entrevista coletiva à imprensa, a procuradora explicou que o crime de aborto prescreveu em abril deste ano. Isso porque penas menores que quatro anos só têm validade por oito anos. Porém, além desses dois crimes, Igor também foi condenado a quatro anos por porte ilegal de arma. Somada aos 14 anos do homicídio, a pena totaliza 18.

A procuradora afirmou que a defesa do ex-promotor poderá entrar com pedido de revisão criminal, mas ela não acredita em novos desdobramentos do caso. "Só a confissão dele me surpreenderia. Temos um conjunto de provas fortes", disse. Segundo a procuradora, mesmo sendo promotor, Igor foi condenado por unanimidade, o que prova que não teve privilégios. "Com a prisão, o Ministério Público (MP) tem a sensação de dever cumprido", afirmou, acrescentando que tinha confiança que a polícia conseguiria localizá-lo antes que o crime prescrevesse. Isso aconteceria em 2021.

Exame de DNA

A procuradora Valderez rebateu também as acusações da família de Igor de que houve falhas na realização dos exames de DNA . Segundo o pai de Igor, Henrique Ferreira da Silva Filho, o seu filho era o pai do bebê que Patrícia esperava. Assim, o argumento de infidelidade usado pela Justiça como possível motivo do crime seria inválido. "O fato de ser ou não o pai da criança nunca interessou ao MP. Não foi nem mencionado na acusação. Não repercutiu", disse.

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