Após 30 anos de PT, Marina Silva anuncia saída do partido e deve se filiar ao PV

BRASÍLIA - A senadora Marina Silva anunciou, nesta quarta-feira, a saída do Partido dos Trabalhadores (PT), no qual milita há 30 anos. Durante a entrevista, porém, Marina não confirmou sua filiação ao Partido Verde (PV), mas disse que se sente livre para conduzir as conversas de filiação.

Severino Motta, repórter em Brasília |

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Marina anuncia saída do PT

Marina anuncia saída do PT

"O primeiro passo é a saída do PT. Agora se iniciam as conversações com o PV, pois não seria ético nem justo eu estar dentro de um partido conversando sobre filiação num outro", afirmou. "Agora vou estar em conversações com o PV, neste período de transição, respeitando os prazos legais", acrescentou. 

Há cerca de duas semanas circulavam informações de que a senadora estaria estudando uma filiação ao PV para disputar as próximas eleições presidenciais.

Questionada do risco de uma campanha monotemática à presidência da República, Marina insistiu que ainda não é candidata e que tal decisão depende da reformulação programática do PV. Mas alegou que o desenvolvimento sustentável engloba todos os setores sociais e somente aqueles que não entendem do assunto podem taxar como monotemático um programa baseado em energias renováveis e no desenvolvimento sustentável.

Marina também foi questionada sobre o fato do filho do senador José Sarney (PMDB-AP), Zequinha Sarney (PV-MA), ser a principal liderança da sigla em seu Estado. Ela respondeu que não tem conhecimentos profundos sobre o PV e que não faria nenhum tipo de pré-julgamento. Porém, completou: não acredito em partidos que não tenham problemas.

Sobre a possibilidade do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil ser candidato à vice-presidente em sua chapa, Marina novamente desconversou, alegando que, por não ser candidata não poderia falar sobre o colega. Mas, aproveitando-se do famoso bordão de Caetano Veloso e Gilberto Gil, sobre a imprevisibilidade dos indivíduos, completou: como diz o Gil, posso ser candidata, ou não!.

"Tudo acertado"

O vice-presidente do PV, Alfredo Sirkis, afirmou em nota no site do partido , com o título "Tudo acertado: a bola com Marina!", que "todas as questões políticas relevantes foram acertadas na noite de terça-feira, em São Paulo".

De acordo com ele, o ingresso da senadora no partido se daria no dia 30 de agosto, domingo, em São Paulo, em uma convenção nacional festiva do PV precedida de uma reunião da Executiva Nacional, possivelmente no mesmo dia, pela manhã ou no sábado, dia 29.

Decisão difícil

AE
Suplicy abraça Marina após entrevista

Suplicy abraça Marina após entrevista

Durante a entrevista, Marina comparou sua saída do PT a um episódio de sua vida quando, aos 16 anos, saiu de casa, no seringal Bagaço, com o objetivo de cuidar da saúde e estudar para realizar o sonho de ser freira. "Foi uma decisão difícil. Vocês não podem imaginar o que era para uma adolescente analfabeta ir para uma cidade que não conhecia", disse. "O fato de sair de casa não significa que estamos rompendo laços com aquelas pessoas com as quais convivemos há tanto tempo", completou ela, em referência aos colegas do PT.

No Senado Federal, o único petista que acompanhou o evento foi Eduardo Suplicy (SP), que lhe entregou uma carta manuscrita desejando boa sorte em seu novo caminho.

Insatisfação

Segundo especialistas, o conflito da senadora com o PT vem desde sua época de atuação no Ministério do Meio Ambiente. A senadora deixou o posto de ministra, que ocupou entre 2003 e 2008, após pressões pela liberação de licenças ambientais para obras do governo e disputas em torno do comando de projeto da Amazônia. 

Em entrevista ao colunista do iG Ricardo Kotscho na semana passada, a senadora destacou que fazia uma "grande reflexão" sobre a então possibilidade de mudança de partido. "Nas últimas semanas, começaram a me informar que estavam preparando a refundação programática do PV, com a participação de pessoas da academia, para colocar a questão do desenvolvimento sustentável na agenda estratégica do partido, planejando a desverticalização da direção e a conquista de novos militantes nos movimentos sociais (...). Estou fazendo uma grande reflexão sobre tudo isso", afirmou.

Durante a entrevista coletiva, nesta quarta-feira, a senadora afirmou que não conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos 15 dias, quando começou a articular sua saída da legenda.

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