Após 3 horas detidos, estudantes são liberados no Senado

Depois de quase três horas detidos por fazerem manifestação contra a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, dez estudantes foram liberados esta noite pela Polícia Legislativa. O estudante de pedagogia da Universidade de Brasília (UnB) Rodrigo Grassi, 30 anos, afirmou que os detidos foram ameaçados e intimidados pelos policiais, que lhes pediram os documentos e só os devolveram depois.

Redação |



Polícia Legislativa do Senado reprime o protesto de estudantes
José Cruz/Agência Brasil


"Eles (os policiais legislativos) diziam: "Vocês vão ver como a banda toca. Vamos processar vocês de todas as maneiras."

Os senadores José Nery (PSOL-PA), Cristovam Buarque (PDT-DF), Valter Pereira (PMDB-MT) e Eduardo Suplicy (PT-SP) intercederam pelos estudantes e evitaram que fossem submetidos a interrogatório, segundo Grassi. "Nos ficharam, como na época da ditadura. Outrora, existia a ditadura militar. Hoje, existe ditadura parlamentar, porque não conseguimos entrar no Senado nem para entregar um documento", disse o estudante.


Estudantes fazem manifestação pela saída do senador José Sarney
Foto: José Cruz/ABr


Ele se referia ao episódio de anteontem, quando os dez foram impedidos de entrar no prédio para entregar ao presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), um manifesto protestando contra o arquivamento de ações que acusavam Sarney de envolvimento em irregularidades. Um estudante e uma estudante menores de idade saíram do Senado acompanhados de seus pais. "Brasília é uma cidade política e não dos políticos, e todo cidadão deve se comportar desta forma. Por isso, eu me congratulo com minha filha", disse o pai da moça.  

Contra a polícia

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) defendeu na noite desta quinta-feira que a chefia da polícia do Senado Federal fosse demitida. Eu deploro que a Casa esteja virando uma delegacia de polícia, completou.

O tucano condenou a agressividade policial para lidar com a situação e afirmou que a ação foi uma amostra da fragilidade da administração do senador [José] Sarney.

Preparação

Durante a preparação para o protesto alguns estudantes foram barrados e não conseguiram entrar no Congresso. A reportagem acompanhou pelo menos um dos manifestantes ser barrado quando estava saindo do elevador que leva para o andar do plenário.

As pessoas que foram detidas conseguiram chegar ao saguão através da Câmara dos Deputados, já que o Senado está fechado para visitações com o pretexto da "gripe suína".

Cientes da manifestação, a segurança da Casa havia passado um comunicado geral para os funcionários, que cobraram de forma não usual o credenciamento de todos os jovens que tentavam entrar no Senado.

* Com reportagem Camila Campanerut e Severino Motta e Agência Estado

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