Três anos depois do acidente nas obras da futura Estação Pinheiros do Metrô, apenas duas famílias habitam a Rua Capri - via engolida pela cratera que matou sete pessoas. Eu gosto desta rua, resume o taxista Carlos Ribeiro da Silva, morador da área há mais de 25 anos.

Passada a tragédia, ele até mantém o otimismo. Sonha com a possibilidade de lucrar com uma possível valorização da região, após a abertura da estação, no segundo semestre. "Provavelmente eu abra um comércio, venda pastéis." Hoje só a família de Silva e a de uma secretária, que se mudou há dois anos e três meses, tocam a vida por lá.

Até a manhã de 12 de janeiro de 2007, além de poucos comércios, pelo menos uma dezena de moradores ocupava os imóveis da Rua Capri. À tarde, com o surgimento da cratera, todos saíram. E, mesmo depois de meses e com a liberação das casas, eles não voltaram. Até hoje, os responsáveis pelo acidente ainda não foram julgados. A Justiça pretende ouvir as primeiras testemunhas a partir de março.

A história de Silva comprova a sua ligação afetiva com a Rua Capri. Em 2005, após mais de duas décadas ocupando o número 119, ele foi desapropriado por causa das obras. O dinheiro pago pela companhia serviu para a compra de um sobrado, no número 36 da mesma rua. O taxista o alugou e se mudou para o Butantã. Os inquilinos, após o acidente, deixaram para trás a vida na Capri. No fim de 2007, Silva viu a oportunidade de voltar à rua que tanto diz gostar. O sobrado do taxista constava da lista de 94 imóveis interditados. Pouco depois, assim como outros 72, a casa foi liberada. Com rachaduras, o imóvel foi reformado pelo Consórcio Via Amarela. Em outros dois imóveis funcionam um escritório de arquitetura e uma empresa de motoboys.

Processo

As primeiras testemunhas do desabamento começarão a ser ouvidas em março. A promotora Eliana Passarelli disse acreditar em uma decisão judicial favorável, em primeira instância, mas não arrisca dizer quando o processo será finalizado. Os 14 funcionários da Via Amarela, responsável pela obra, e o Metrô respondem pelo acidente. Os primeiros depoimentos serão prestados por 33 testemunhas de acusação. Os réus respondem por homicídio culposo (sem intenção de matar), imprudência e negligência. Além das sete vítimas, 212 pessoas (60 famílias) tiveram de deixar suas residências. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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