A vida de Benito Di Paula corria muito bem, obrigado até o início dos anos 90. Compositor de mão cheia, o friburguense nascido em 1941 vivia em um mar de tranquilidade.

Com canções como "Charlie Brown", "Vai Ficar Na Saudade", "Se Não For Amor", "Amigo do Sol, Amigo da Lua", "Mulher Brasileira" e "Retalhos de Cetim", Benito havia cravado no cancioneiro brasileiro o termo "samba joia", espécie de samba mais refinado, com toques de jazz e romantismo.

Seu público permanecia fiel, suas necessidades atendidas e os programas de TV, abertos à sua voz impoluta. Segundo o próprio, seus discos haviam alcançado as 52 milhões de cópias vendidas. Até que tudo mudou. Benito sumiu do mapa, ficou só e até hoje não entende porque isso aconteceu. "Todo mundo me deixou de lado e ninguém foi macho o suficiente pra falar o porquê desse abandono. O pior canalha que existe é aquele que não deixa o homem trabalhar. Foi esse tipo de gente que me fez parar", fala, ressentido, por telefone.

Mesmo tentando esconder a mágoa que traz desses 12 anos de limbo musical, Benito volta ao assunto quando, por exemplo, fala da gravação deste novo CD e DVD, com imagens capturadas de um show realizado no Rio de Janeiro, em julho de 2009. "Quando fomos procurar uma casa pra gravar o DVD, o pessoal do Vivo Rio disse que eu não ia levar ninguém, que eu era um artista decadente. Eles tiveram que me engolir, porque além das 3 mil pessoas que assistiram ao meu show, mais mil ficaram de fora. Meu público é a minha família, e nunca me abandonou." O cantor não cita nomes e diz não saber de quem foi o "veto" para que sua carreira fosse engessada. "Doze anos não são doze dias. Alguém vai ter de pagar por isso."

Benito disse ter recebido alguns convites de gravadoras grandes e independentes durante o período que ficou "impedido" de cantar. Mas preferiu desistir de gravar qualquer coisa. "Fazia meus showzinhos, meu público sempre esteve do meu lado, não queria mais me meter com gravadora nenhuma. Até que meu filho me convenceu a fechar contrato com a EMI." Falando do novo trabalho, Benito diz ter ficado muito nervoso ao gravar seu primeiro DVD. Diz que teve todo o apoio necessário e desenhou o repertório que queria, incluindo três faixas inéditas no show. As informações são do Jornal da Tarde.

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